
Reprodução/Flickr
Cerca de 7 mil empregos devem surgir em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, com uma nova encomenda bilionária da Petrobras. A estatal fechou um pacote de contratos que soma R$ 11 bilhões para construir, no estaleiro catarinense Navship, quatro embarcações de propulsão híbrida equipadas com robôs submarinos, voltadas ao apoio das operações em águas profundas e ultraprofundas, como as do pré-sal.
O acordo foi assinado em 14 de maio de 2026, em evento com a empresa DOF Subsea Serviços, braço brasileiro da norueguesa DOF, e integra o Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota da Petrobras, dentro do Plano Estratégico 2026-2030 da companhia. A expectativa da estatal é gerar aproximadamente 1,5 mil empregos diretos e 5,6 mil indiretos ao longo das fases de construção e operação dos navios. Um ponto importante para entender o tamanho real do investimento: os R$ 11 bilhões não se referem apenas ao custo de construção dos quatro navios.
Trata-se de um pacote de oito contratos que abrange a construção das embarcações, o afretamento e a prestação de serviços de apoio submarino que esses navios realizarão ao longo de toda a sua vida operacional, que costuma durar muitos anos. Ou seja, é um compromisso de longo prazo entre a Petrobras e a DOF, e não um cheque único para a obra. Essa distinção é relevante porque mostra que o valor se dilui em décadas de operação, embora o impacto imediato na economia de Navegantes, com a construção dos navios, já seja significativo.
As quatro embarcações serão do tipo RSV, sigla em inglês para ROV Support Vessel, ou navio de apoio a veículos operados remotamente. Elas são especializadas em atividades de inspeção, manutenção e reparo submarino, tarefas consideradas estratégicas para a continuidade das operações da Petrobras no mar. O grande destaque são os robôs submarinos, os ROVs, capazes de atuar em profundidades de até 4 mil metros. Esses robôs são equipados com braços mecânicos, luzes e câmeras de alta precisão, que permitem manusear e montar equipamentos no fundo do mar, além de inspecionar e reparar tubulações, válvulas e conexões de poços de petróleo localizados a milhares de metros de profundidade. São justamente esses equipamentos que viabilizam a exploração em campos como os do pré-sal, onde as operações ocorrem em condições extremas, longe da costa e sob enorme pressão da água.
Outro diferencial dos navios é a tecnologia de propulsão híbrida, que combina baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental. Segundo a Petrobras, essa configuração permite maior eficiência energética, redução no consumo de combustível e menor emissão de gases de efeito estufa, em linha com as metas de descarbonização que a companhia vem perseguindo em suas operações.
A aposta em embarcações mais limpas reflete uma tendência do setor de petróleo e gás, pressionado a reduzir sua pegada de carbono mesmo nas atividades de apoio. Para o CEO da DOF, Mario Fuzetti, o projeto une investimento em tecnologia, redução de emissões e geração de empregos no Brasil, ao construir os barcos em território nacional em vez de importá-los prontos, o que mantém a riqueza e a qualificação da mão de obra no país. Um dos pontos mais valorizados pela Petrobras nesse contrato é o índice de conteúdo local.
A meta é alcançar até 80% de conteúdo nacional na fase de construção das embarcações e cerca de 90% durante a operação dos navios. Na prática, isso significa que a maior parte das peças, dos materiais e dos serviços virá de empresas brasileiras, aquecendo toda uma cadeia produtiva ligada à indústria naval. Segundo o gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha, a atual gestão da companhia ampliou o número de fornecedores por meio da simplificação de especificações técnicas, o que aumentou a competitividade e aqueceu o mercado naval, atraindo mais propostas qualificadas.