
Hugo Motta concede entrevista coletiva - Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a uma definição sobre a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 nesta segunda-feira (25/5).
Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ficou estabelecido que a transição para uma jornada de 5x2 deverá ser concluída em até um ano, sem que haja redução salarial para os trabalhadores.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, detalhou os termos do acordo logo após o anúncio de Motta.
Segundo ele, em até 60 dias após a promulgação do texto, será implementada a jornada 5x2 — cinco dias trabalhados e dois de folga —, além de uma redução imediata de duas horas na jornada diária.
Em até 12 meses, outras duas horas serão subtraídas, consolidando a semana de 40 horas de trabalho.
"Isso atende a um apelo da classe trabalhadora, também escuta o setor produtivo, dá um tempo para que os setores possam se organizar", ressaltou Motta, em entrevista coletiva realizada após o encontro com Lula.
O caminho até o acordo
A definição sobre o texto da PEC 6x1 ocorreu após Motta se reunir com o presidente Lula na manhã desta segunda-feira para discutir os pontos ainda divergentes da proposta.
A medida se tornou uma das prioridades tanto do governo quanto do presidente da Câmara nos últimos meses, com esforços para acelerar a tramitação do projeto no Legislativo.
O principal ponto de divergência girava em torno do prazo de transição para a nova jornada.
Um grupo de deputados defendia que a redução fosse aplicada em até três anos — uma hora ainda em 2025, duas horas no ano seguinte e uma hora em 2028 —, de modo a dar tempo aos empregadores para se adaptarem à diminuição de quatro horas na jornada atual.
Já outra corrente propunha uma transição mais lenta, que poderia se estender por até dez anos.
A reunião desta segunda teve justamente o objetivo de superar essas divergências.
A PEC 6x1 entrou na última semana do calendário de votações estipulado pela Câmara dos Deputados, com a análise em plenário prevista para esta quinta-feira (28/5).