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A Prefeitura de Belo Horizonte anunciou a criação de uma espécie de "autoescola" voltada para usuários de patinetes elétricos, modalidade que acumula reclamações e polêmicas desde o início da operação na capital mineira. A atividade está programada para esta quinta-feira (21/5), na Praça da Estação, no centro da cidade. A iniciativa integra a programação de comemoração pelos 10 anos do Centro de Referência das Juventudes (CRJ) e será conduzida pela JET, empresa responsável pelos patinetes elétricos em BH.
Segundo a prefeitura, haverá aulas práticas voltadas a pessoas interessadas em aprender a utilizar os veículos de forma segura, com atividades previstas das 9h às 22h. A proposta é orientar os participantes sobre regras de trânsito, funcionamento dos equipamentos e convivência segura com pedestres e motoristas. Em ações semelhantes realizadas em outros estados, a JET afirma que as oficinas abordam temas como sistema de freios, limites de velocidade e circulação correta dos patinetes nas vias urbanas. Apesar do anúncio, a empresa não detalhou o formato das instruções nem se haverá acompanhamento prático individual dos participantes.
Os patinetes elétricos começaram a circular em Belo Horizonte no dia 18 de março de 2025. Atualmente, mais de mil equipamentos estão espalhados pela capital mineira. Desde a chegada do serviço, moradores têm relatado problemas como estacionamento irregular dos veículos em calçadas, bloqueio de rampas de acessibilidade, vandalismo, furtos e abandono dos patinetes em diferentes pontos da cidade.
Dias após o início da circulação, dois adolescentes foram flagrados usando o equipamento dentro de um shopping. As imagens circularam nas redes sociais e causaram revolta entre os moradores da capital mineira.
As discussões sobre o uso dos equipamentos também chegaram ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que passou a monitorar a operação logo nas primeiras semanas de funcionamento. O órgão alertou para a falta de obrigatoriedade do uso de capacete, já que a prefeitura apenas "estimula" o acessório, e apontou a dificuldade em fiscalizar se menores de 18 anos estão utilizando o serviço ou se duas pessoas estão dividindo o mesmo equipamento.
Com a abertura da investigação, o MPMG estabeleceu um prazo de 60 dias para que a prefeitura envie cópias do contrato, dados de seguros para acidentes e os relatórios técnicos que serviram de base para os testes realizados em 2025 pela própria Sumob. O prazo de resposta ainda está em aberto.