
A resistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em oficializar sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais envolve uma série de fatores políticos, entre eles o estado da relação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A tensão entre os dois se intensificou após Lula optar por não indicar Pacheco para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), decisão que desgastou os laços entre os presidentes.
O senador mineiro é próximo de Alcolumbre e era o nome preferido por uma ala do Senado para a vaga na Corte. Durante meses, Lula insistiu que Pacheco deveria disputar o governo de Minas. No entanto, o presidente escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF — indicação que acabou rejeitada pelo Senado após articulação de Alcolumbre. Aliados de Lula suspeitam da participação de Pacheco nessa movimentação e o acusam de traição, defendendo outro nome para a eleição no estado. Ainda assim, o PT de Minas e a cúpula do partido enxergam em Pacheco a melhor opção e trabalham por sua candidatura.
Nesse contexto, Alcolumbre já sinalizou a Lula que está disposto a conversar. Uma das possibilidades ventiladas nos bastidores seria indicar Pacheco ao TCU (Tribunal de Contas da União), mas a alternativa não agrada ao senador, conforme já foi revelado pela colunista Mônica Bergamo. Pacheco tem mantido conversas com a cúpula do PT e com integrantes da legenda em Minas para tratar da candidatura. Ainda deve ter um novo encontro com o presidente do partido, Edinho Silva, na próxima segunda-feira.
O senador também conversou com a ex-prefeita de Contagem Marília Campos — cotada para concorrer ao Senado e integrar seu palanque — além de deputados petistas. Entre os pontos considerados essenciais para que Pacheco defina se vai ou não concorrer está a formação das alianças para seu palanque. Ele quer saber de Lula qual o plano de ação do PT para a campanha local.
O União Brasil, partido de Alcolumbre, tem mais capilaridade em Minas do que o PSB e precisa estar junto na empreitada. Lula já deu sinais de que quer Pacheco justamente para atrair o eleitor de centro, mas o mapa de ação para o estado ainda não foi apresentado. Além das questões partidárias, o próprio Pacheco já declarou que a definição de uma candidatura precisa levar em conta o clima político atual, que ficou "muito mais agressivo por causa das redes sociais".
O senador destacou não ter esse perfil de embate público e afirmou que isso também pesa em sua decisão. Acrescentou ainda que a falta de regulação das redes contribui para esse ambiente tóxico na internet. "Para segurar essa onda nas redes, é preciso ter apoio político", resume um aliado do senador. Assim, a definição sobre a candidatura de Pacheco ao governo de Minas segue condicionada ao avanço das negociações políticas, à composição das alianças e ao desfecho da relação entre Lula e Alcolumbre.