
Gasolina | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e tem como objetivo desarticular uma estrutura de lavagem de dinheiro, fraudes e sonegação fiscal que conecta o setor de combustíveis ao mercado financeiro. Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Entre os alvos estão instituições financeiras sediadas na Faria Lima, principal centro financeiro do país.
As investigações identificaram seis novas fintechs que atuavam como "bancos paralelos" a serviço do crime organizado. Essas instituições foram utilizadas para realizar compensações entre distribuidoras e postos de combustível, além de ocultar o pagamento de colaboradores e investimentos pessoais dos operadores do esquema. Entre 2022 e 2025, o grupo de fintechs investigado movimentou mais de R$ 26 bilhões. O mecanismo se valia das chamadas "contas bolsão", que centralizavam e dispersavam recursos ilícitos para dificultar o rastreamento pelas autoridades e esconder os beneficiários finais.
De acordo com a Receita Federal, houve registro de depósitos em espécie superiores a R$ 1 bilhão em uma única instituição, prática considerada incomum para empresas desse perfil. As empresas identificadas como alvos da operação são: - Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações - America Payment S.A - Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários - Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados - YAW Instituição de Pagamento S.A - Ello Gestora de Recursos Ltda
Além do núcleo financeiro, a Operação Fluxo Oculto atinge um esquema de adulteração de combustíveis. A organização utilizava empresas de fachada para simular a compra de nafta petroquímica, um solvente de uso industrial, desviando o produto para terminais de armazenamento onde era misturado à gasolina comercializada em postos controlados pelo grupo. Estima-se que apenas essa fraude tenha causado um prejuízo de R$ 200 milhões aos cofres públicos em impostos sonegados nos últimos dois anos. O lucro obtido com a venda do combustível adulterado era direcionado a fundos de investimento para dissimular a origem dos valores.
A Justiça mira quatro fundos de investimento, duas administradoras e duas gestoras de recursos envolvidas na ocultação patrimonial. Os fundos investigados possuem patrimônio estimado em R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano. A Operação Fluxo Oculto conta com o apoio da ANP, da Secretaria da Fazenda, da Procuradoria-Geral do Estado e das polícias Civil e Militar, com o objetivo de asfixiar financeiramente as organizações que controlam o ecossistema de fraudes no setor de combustíveis.