
Migrantes e refugiados - iStockphoto
O Brasil conta com pouco mais de 2 milhões de migrantes e refugiados em seu território, sendo cerca de 415 mil deles inseridos no mercado de trabalho formal. Os dados são do relatório do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), divulgado na última quinta-feira (30/4).
O número total representa pouco menos de 1% da população brasileira. As estimativas do OBMigra para o início de 2026 contemplam residentes, migrantes temporários, refugiados e pessoas com solicitação de refúgio ainda em análise.
O relatório destaca separadamente algumas nacionalidades em razão de sua relevância em termos absolutos e de seu histórico recente, como venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos.
No que diz respeito à migração venezuelana, o OBMigra aponta que, apesar de uma redução nos últimos dois anos no volume de registros de residência e refúgio de nacionais da Venezuela, esse movimento não indica necessariamente uma tendência de queda estável. A incerteza sobre o cenário econômico no país vizinho é apontada como fator determinante para essa avaliação.
O relatório também revela uma mudança no perfil demográfico desse grupo, com maior participação de mulheres e, sobretudo, de crianças entre 0 e 14 anos nos dados mais recentes.
"Independente do aumento ou estabilização dessa corrente migratória, algumas questões requerem atenção do governo brasileiro, sobretudo no que diz respeito ao número de pessoas do sexo feminino e daquelas entre 0 e 14 anos de idade, que normalmente estão entre os segmentos mais vulneráveis e demandam ações específicas", afirma o observatório.
O OBMigra reforça ainda que esse grupo migratório está distribuído espacialmente para além de Roraima, estado fronteiriço por onde ainda chega a maioria dos venezuelanos. Segundo o observatório, as ações do Estado brasileiro devem, portanto, alcançar também o Amazonas e estados da região Sul, onde essa população igualmente se encontra.
Outro dado de destaque no relatório é o expressivo crescimento da chegada de cubanos ao Brasil. O OBMigra estima que vivam atualmente no país cerca de 84 mil cubanos.
Inicialmente, esses migrantes utilizavam a solicitação de residência temporária como via regulatória, mas a partir de 2019 a solicitação de refúgio passou a ser a opção mais adotada — atingindo em 2025 um patamar superior ao dos venezuelanos, com mais de 40 mil solicitações registradas.
O documento do OBMigra aborda também a presença e o perfil desses imigrantes e refugiados no mercado de trabalho, no sistema de ensino e em políticas sociais, registrando, por exemplo, quantos possuem Cadastro Único ou recebem benefícios como o Bolsa Família.
Os dados indicam que, entre 2010 e 2025, o estoque de trabalhadores imigrantes cresceu em média 22,6% ao ano, saltando de pouco mais de 50 mil para 415 mil. No entanto, esse crescimento veio acompanhado de uma redução no rendimento médio desses trabalhadores: de R$ 15,5 mil em 2010 para R$ 4.500 em 2024.
"A ampliação da participação dos trabalhadores oriundos do Sul Global no mercado formal de trabalhadores imigrantes produziu algumas mudanças em sua estrutura. A primeira delas é uma relativa concentração de trabalhadores nos grupos ocupacionais que se encontram na base da estrutura ocupacional", diz o texto.
O relatório acrescenta: "A segunda dessas mudanças está relacionada a uma possível inconsistência de status de alguns desses trabalhadores que, mesmo possuindo nível superior completo, encontram-se inseridos na base da estrutura ocupacional, em ocupações de menor qualificação e, consequentemente, com menores rendimentos".
No sistema educacional, o OBMigra chama atenção para o crescimento e a alta proporção de imigrantes no ensino fundamental. São mais de 140 mil migrantes matriculados nessa etapa, correspondendo a 62,4% do total de matriculados imigrantes no país. A segunda etapa com maior proporção é a educação infantil, com 17,2% das matrículas.
O relatório do OBMigra oferece, assim, um panorama abrangente da realidade migratória no Brasil, evidenciando tanto o crescimento dessa população quanto os desafios relacionados à sua inserção no mercado de trabalho, na educação e nas políticas sociais.