Senadores pedem afastamento de Nunes Marques do caso Master

ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Senadores pedem afastamento de Nunes Marques da relatoria da CPI do Master por proximidade com Ciro Nogueira, alvo da PF
Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) protocolaram nesta quinta-feira, 7, uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o ministro Nunes Marques se afaste da relatoria da ação que trata da abertura de uma CPI para investigar o Banco Master. O argumento central é a proximidade do magistrado com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nesta mesma data se tornou alvo oficial da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
"Considerando a relação íntima e notória entre o ministro Kassio e o senador Ciro Nogueira, que hoje passou a ser oficialmente alvo das investigações referentes ao caso Master, estou apresentando, juntamente com o senador Girão, pedido de suspeição, para que o mandado de segurança sobre a instalação da CPI do Master seja distribuído para outro ministro do STF", escreveu Vieira em suas redes sociais.
A ligação entre Nunes Marques e Ciro Nogueira não é recente. O senador foi um dos principais articuladores da indicação do magistrado ao STF em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), elogiando-o publicamente e atuando nos bastidores para garantir apoio no Senado. Além disso, ambos são naturais do Piauí e compartilham uma relação antiga no meio político e jurídico do estado.
O senador Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo envolvendo o Banco Master. Segundo as investigações, o parlamentar teria "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do banco no Congresso Nacional. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF.
Os investigadores apontam que Ciro Nogueira recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, e que, segundo a apuração, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil". Além dos pagamentos, Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas de viagens internacionais de luxo.
Entre os gastos mencionados na investigação estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A PF também cita a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais. Como revelou o Estadão, a Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro".
"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", esclarece a PF em seu relatório. O senador nega todas as irregularidades. Em nota, a defesa de Ciro Nogueira "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar."
O texto ainda acrescenta: "Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas". O pedido de suspeição apresentado pelos senadores busca garantir que a ação sobre a CPI do Master seja redistribuída a outro ministro do STF, diante da relação entre Nunes Marques e o senador investigado. O caso segue em andamento e deverá ser analisado pelo tribunal.