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Professores, trabalhadores de secretaria e bibliotecários concursados da rede municipal de Belo Horizonte lotaram a porta da Prefeitura Municipal de BH (PBH) na tarde desta segunda-feira (25/5). Em mais um dia de greve, sindicalistas pressionaram a administração municipal por um acordo para as demandas da categoria, mas saíram sem avanços concretos. O movimento, que já dura quase 30 dias, escancarou um racha entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-Rede) e a Secretaria Municipal de Educação (Smed).
A secretária municipal de Educação, Natália Araújo, declarou que a prefeitura atendeu a todos os pedidos da categoria e que não retomará as negociações enquanto a greve não for suspensa. "Oferecemos tudo o que foi pedido. Agora não tem mais o que oferecer", afirmou Natália Araújo em coletiva de imprensa.
Os grevistas denunciam precarização do serviço, falta de transparência e o que chamam de "privatização disfarçada" do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Segundo o sindicato, a prefeitura transferiu atribuições pedagógicas para 21 Organizações da Sociedade Civil (OSCs), retirando o controle público sobre o atendimento a crianças com deficiência e neurodivergentes.
Natália Araújo rebateu as acusações de forma direta: "Não tem verdade em dizer que está sendo privatizado o serviço. Esses profissionais já eram terceirizados. Eles apenas mudam de empregadora: saem de uma empresa de limpeza e passam para entidades especializadas do terceiro setor. Não há perda de emprego, nem redução salarial. Isso é um discurso mentiroso que esconde uma briga entre sindicatos."
Sobre a pauta reivindicatória, a secretária informou que o prefeito ofereceu sete pontos em substituição à manutenção do modelo antigo com as OSCs e que todos foram atendidos até esta segunda-feira (25/5), conforme acordado com o sindicato na semana anterior. O sindicato também reclama da recusa da PBH em divulgar o quadro real de lotação de profissionais, situação que teria gerado escolas com falta de até 11 professores por turno. Em relação à reposição salarial, a entidade afirma que a proposta da prefeitura para 2026 é de apenas 4,11%, e não os 6,51% divulgados por Natália Araújo.
A secretária ainda negou rumores sobre corte no orçamento da educação: "Não há corte na educação. A Constituição determina que 25% de toda a receita do município vá para a educação. Prestamos contas mensalmente ao Tribunal de Contas e aos órgãos federais. Nosso orçamento é extremamente transparente."
Um dos pontos mais criticados pelos grevistas é o encerramento dos canais de negociação. Natália Araújo enviou ofício ao sindicato informando que só retomará o diálogo caso a greve seja suspensa. "Nosso apelo é que os professores voltem para a sala de aula. Reposição de aula só é possível com o professor ativo. Enquanto estiver em greve, não tem como discutir reposição", concluiu a secretária.
Uma nova assembleia foi marcada para esta terça-feira (26/05), às 14h, em frente à porta da Prefeitura (Av. Afonso Pena, 1.212), no Centro de BH. A categoria deve definir os próximos passos da negociação. De um lado, o sindicato quer manter a pressão por mais transparência e revisão do modelo das OSCs. Do outro, a prefeitura considera que esgotou as possibilidades de acordo e aguarda o retorno às aulas. A rede municipal de ensino de Belo Horizonte segue com aulas parcialmente suspensas, impactando milhares de famílias. A expectativa é de que a assembleia desta terça-feira traga uma definição sobre o futuro da greve.