
Ucrânia ataca Moscou com drones - Foto: Reprodução
Ao menos quatro pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas neste domingo (17/5) em um dos maiores ataques de drones ucranianos contra a Rússia desde o início da guerra. Na capital russa, a ofensiva envolveu mais de 80 artefatos não tripulados, segundo as autoridades locais.
O Ministério da Defesa da Rússia informou que, entre às 22h da véspera e às 7h deste domingo, as defesas antiaéreas russas "interceptaram e destruíram" 556 drones de asa fixa sobre 14 regiões russas, a península da Crimeia e os mares Negro e de Azov.
Três das quatro mortes ocorreram nas proximidades de Moscou.
O governador da região, Andrei Vorobiov, descreveu os incidentes em sua conta no MAX, o Telegram russo: "No distrito Starbeevo de Khimki (cidade satélite de Moscou), uma mulher morreu após o impacto de um drone contra uma casa. Outro homem está sob os escombros". Vorobiov acrescentou: "Dois homens morreram na localidade de Pogorelki (Mytishchi). Os restos de um drone caíram contra uma casa em construção".
Além das mortes, o governador relatou que os drones danificaram edifícios e residências particulares nas cidades de Krasnogorsk e Istra, a oeste da capital russa, ferindo três homens e uma mulher. Outra casa pegou fogo após a queda de um drone na localidade de Subbotino, no distrito de Naro-Fominsk, a sudoeste de Moscou. Vorobiov destacou ainda que os drones atacaram alvos da infraestrutura crítica em vários municípios da região que circunda a capital.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou sobre 12 pessoas feridas, a maioria funcionários de uma refinaria moscovita. "Após o impacto de drones, 12 pessoas ficaram feridas, segundo dados preliminares. Em sua maioria, em frente à entrada da refinaria, vários construtores ficaram feridos. O processo tecnológico da usina não foi interrompido", escreveu Sobyanin no MAX. Três casas também foram danificadas.
Ao longo da noite, o prefeito foi atualizando o número de drones derrubados, que somaram 81, elevando para mais de 120 o total de abates nas últimas 24 horas.
Este ataque supera em escala os episódios anteriores de grande envergadura. O mais recente havia ocorrido em 14 de março, quando foram derrubados 65 artefatos, seguido por um ataque de 54 drones em 15 de março e 42 no dia seguinte. Em 7 de maio, as defesas antiaéreas russas derrubaram 61 aeronaves não tripuladas nas proximidades de Moscou. Em março de 2025, Moscou havia repelido 74 drones, e em maio, outros 74.
A agência de notícias EFE avistou nesta madrugada pelo menos dois drones ucranianos de longo alcance Lyutyi, reconhecíveis por seu característico aileron traseiro em forma de V invertido. Entre 4h e 6h no horário local, foram ouvidas mais de 20 explosões em áreas próximas ao aeroporto de Domodedovo, na capital.
Paralisação nos aeroportos de Moscou
As autoridades aeronáuticas interromperam temporariamente o funcionamento dos quatro aeroportos internacionais de Moscou. Em um deles, o Sheremetyevo, caíram restos de um drone derrubado. "Os restos encontram-se a uma distância segura da área de serviço a passageiros e aeronaves. Os serviços de emergência já se encontram no local dos fatos e as medidas de segurança necessárias estão sendo implementadas", informou o aeroporto no Telegram. Mais de 50 voos foram desviados para aeroportos de reserva, segundo o Ministério dos Transportes.
Na cidade de Sebastopol, base da Frota do Mar Negro da Marinha russa na anexada península ucraniana da Crimeia, as defesas antiaéreas derrubaram 25 artefatos, conforme relatou o governador local, Mikhail Razvozhaev. Segundo ele, os fragmentos dos drones destruídos danificaram uma linha de alta tensão, causando interrupções no abastecimento elétrico da região.
O ataque desta madrugada representa um dos episódios mais intensos da guerra no que diz respeito ao uso de drones contra o território russo, com vítimas fatais, feridos, infraestrutura danificada e a paralisação temporária dos principais aeroportos de Moscou.