Michelle trava pacificação com Flávio Bolsonaro após crise do Master

Foto: YouTube/Silas Malafaia
Escândalo do caso Master interrompeu reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro, aprofundando crise no clã
A divulgação de áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse" não abalou apenas o QG da pré-campanha presidencial. O escândalo produziu um efeito colateral dentro do clã Bolsonaro: interrompeu o processo de reaproximação entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que já estavam rompidos há meses.
Os dois vivem uma crise desde novembro do ano passado, quando Michelle criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e foi desautorizada pelo enteado. Em resposta, Flávio chamou Michelle de "autoritária" e afirmou que ela "atropelou o próprio presidente Bolsonaro", que havia autorizado o acordo.
Flávio chegou a pedir desculpas em privado, mas Michelle exigia uma retratação pública. Após articulações nos bastidores envolvendo interlocutores dos dois lados, Michelle fez um aceno ao enteado ao publicar em suas redes sociais, no dia 30 de abril, uma mensagem desejando "feliz aniversário" a Flávio, que completou 45 anos. O roteiro de reaproximação previa que Michelle declarasse apoio explícito à candidatura do senador ao Palácio do Planalto.
No entanto, o movimento foi abortado com a divulgação dos áudios em que Flávio cobra de Vorcaro recursos para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Posteriormente, o senador acabou reconhecendo ter recebido R$ 61 milhões por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
Na terça-feira (19), Michelle compareceu ao lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal, onde foi questionada pela imprensa sobre as suspeitas em torno de Flávio no caso Master. A ex-primeira-dama tentou desviar do assunto. "Sobre Flávio, você tem que perguntar para ele", respondeu, sorrindo. "Estou cuidando do meu marido e, quando consigo conciliar a agenda, eu participo de eventos como esse."
A reação foi considerada branda diante do que Michelle tem dito nos bastidores. A aliados, ela demonstrou bastante irritação e afirmou que nem ela nem o ex-presidente sabiam do envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro. "Flávio virou um candidato tóxico, radioativo", disse um interlocutor de Michelle ouvido em caráter reservado. A relação de Michelle com os filhos de Bolsonaro sempre foi marcada por tensão, rancor e desconfiança mútua.
Segundo uma influente liderança evangélica, Michelle ainda guarda mágoa por não ter sido escolhida como vice em eventual chapa presidencial encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que acabou optando por disputar a reeleição — algo que ela frequentemente nega até para os mais próximos.
Após o abalo na campanha de Flávio com o caso Master, lideranças do Centrão passaram a ventilar nos bastidores uma dobradinha da senadora Tereza Cristina (PP-MS) com Michelle na vice, o que manteria o sobrenome "Bolsonaro" na chapa presidencial, ainda que em papel secundário. A falta de engajamento de Michelle na pré-campanha de Flávio tornou-se um foco permanente de discussão no entorno bolsonarista.
A presença da ex-primeira-dama é considerada essencial para reduzir a rejeição do senador no eleitorado feminino. A mais recente pesquisa Quaest/Genial, divulgada em 13 de maio, mostra Flávio com 36% das intenções de voto entre mulheres, ante 45% de Lula. Entre os homens, a situação se inverte: o senador aparece com 47%, contra 39% do petista. Diante desse cenário, Michelle não demonstra disposição para entrar em campo por Flávio — nem para sair em sua defesa.