
Racismo e outras violências nas escolas - Foto: Canva
Um funcionário da Escola Estadual Maurício Murgel, no bairro Nova Suíça, região Oeste de Belo Horizonte, é suspeito de proferir insultos racistas contra um adolescente de 16 anos. O episódio ocorreu na tarde de quarta-feira (27/5) e gerou uma série de manifestações por parte dos alunos, que exigem providências da direção da instituição. A Polícia Militar foi acionada e registrou um boletim de ocorrência.
De acordo com o relato de uma aluna, que preferiu não ser identificada, o colega estava penteando o cabelo com um pente garfo quando um vice-coordenador entrou na sala de aula e fez comentários sobre o tipo de cabelo do estudante. Segundo a jovem, o funcionário teria dito que há muito tempo não via um pente como aquele e completou: "Mas para pentear o seu cabelo, tem que ser esse mesmo, porque se for outro, não entra", enquanto ria.
Indignados com a situação, os alunos procuraram a coordenação e a direção da escola. Ainda conforme o relato, a coordenadora-geral do primeiro ano, ao receber a denúncia, teria afirmado que o cabelo da vítima é lindo, mas questionou o motivo de o estudante levar o pente para a escola. A mulher então teria dito que o jovem "procurou" a situação.
Diante da resposta da coordenação, os alunos se revoltaram e acionaram os pais do estudante. Durante a saída da escola, realizaram um protesto que foi gravado em vídeo. Nas imagens, é possível ver um homem, identificado pelos alunos como o suspeito da injúria racial, discutindo com a vítima antes de ser rechaçado pelos estudantes.
A Polícia Militar foi acionada pelos responsáveis do garoto. Aos militares, o diretor da instituição refutou a versão dos adolescentes e afirmou que o funcionário teria dito que o jovem "queria ficar bonito". O administrador da unidade de ensino também alegou que a informação foi rapidamente repassada entre os estudantes e "fomentada" pelos professores.
Novas manifestações na escola
Na quinta-feira (28/5), as paredes da Escola Estadual Maurício Murgel foram tomadas por cartazes contra a atitude do vice-coordenador. Nos pôsteres, os jovens escreveram frases como: "Não precisa ser negro para lutar contra o racismo, só precisa ser humano" e "O racismo não é opinião nem divergência". Durante as aulas, vestindo camisas pretas, os estudantes entoaram gritos de "fora racista" e "fogo nos racistas".
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que a Superintendência Regional de Ensino (SRE) Metropolitana B, responsável pela coordenação da Escola Estadual Maurício Murgel, enviou o Serviço de Inspeção até a unidade para elaboração de um relatório de averiguação dos fatos. A pasta também informou que o Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE), formado por psicólogos e assistentes sociais, foi acionado para dar suporte à comunidade escolar.
Em nota, a secretaria afirmou que realiza periodicamente ações de prevenção e conscientização por meio do Projeto Socioemocional e Convivência Democrática, que incluem rodas de conversa sobre equidade e palestras sobre bullying. "Essas iniciativas visam combater o racismo, promover a diversidade e reforçar o respeito mútuo entre todos os membros da comunidade escolar. A SEE/MG reafirma seu compromisso em garantir um espaço educacional pautado pelo respeito, pela igualdade e pela promoção da diversidade".
O caso ocorre em um contexto de crescimento dos registros de injúria racial em Minas Gerais, que aumentaram 152% no estado, tornando-o o terceiro com mais ocorrências do tipo no país.