
Incêndio atinge Igreja Matriz de Flores da Cunha na Serra — Foto: Reprodução
Um incêndio destruiu, na última segunda-feira (25), o telhado e o interior da centenária Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha, na serra gaúcha. O templo, que é uma das principais atrações turísticas da cidade, teve todas as missas e atividades temporariamente canceladas. Nenhuma pessoa ficou ferida. O telhado da Igreja Matriz passava por uma reforma no momento do sinistro, mas as autoridades ainda não confirmaram se essa foi a causa do incêndio. A investigação sobre a origem das chamas ficará a cargo da polícia.
"Virou tudo cinza, carvão, os bancos queimaram todos", disse o frei Jadir Segala, pároco do local. Ele chorou em frente à Igreja Matriz enquanto os bombeiros combatiam o fogo, que começou no início da tarde e foi controlado ao longo do dia. Segundo o religioso, duas imagens foram recuperadas dos escombros: o Cristo morto e um quadro do frei Salvador Pinzetta (1911-1972). As demais peças foram consumidas pelas chamas. "Não tenho uma igreja para rezar. Não sei onde vou rezar missa", disse ele, novamente em lágrimas, à Rádio Gaúcha. "Foi uma facada na alma".
O combate ao incêndio mobilizou quatro viaturas especializadas dos bombeiros, incluindo dois caminhões auto-bomba tanque, um auto-tanque e uma auto-escada mecânica. A prefeitura também disponibilizou maquinários, como uma retroescavadeira para remover os destroços do telhado de zinco. Ao todo, doze bombeiros atuaram no local, junto a onze brigadistas civis de empresas da cidade. A estratégia de confinamento das chamas impediu que o histórico campanário de pedras de basalto, situado ao lado da Igreja Matriz, fosse atingido.
Construída em estilo gótico, a Igreja Matriz teve sua edificação iniciada em 1904 e concluída em 1914. O altar veio da Itália, e as imagens históricas de São Pedro e São José, que deram origem às duas primeiras comunidades da cidade, faziam parte do acervo do templo. Os restos mortais do frei Salvador Pinzetta, capuchinho nascido em Casca (RS) e falecido em Flores da Cunha, estavam sepultados desde 1988 na igreja. Ele tinha fama de santidade e seu túmulo recebia visitas frequentes de devotos.
O vigário geral da Diocese de Caxias do Sul, padre Leonardo Inácio Pereira, manifestou solidariedade à comunidade católica que "enfrenta esta grande provação e esta grande dor", garantindo que a diocese estará presente no processo de reconstrução. A Prefeitura de Flores da Cunha também lamentou a perda do patrimônio religioso. "O que podemos dizer neste momento é que vamos nos restabelecer e reconstruir juntos. Flores da Cunha é uma comunidade forte, unida pela fé e pela sua história", afirmou o prefeito em exercício, Márcio Rech (PL). A programação de Corpus Christi será avaliada em conjunto entre a prefeitura e a paróquia, diante dos danos causados à Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes.