
O navio de cruzeiro MV Hondius, que se tornou o centro de um surto de hantavírus, atracou na madrugada deste domingo (10) nas proximidades do porto de Granadilla, no litoral da ilha de Tenerife, na Espanha. Equipes sanitárias acessaram a embarcação e examinaram os cerca de 150 passageiros e tripulantes antes de dar início à operação de desembarque. Um grupo de viajantes de nacionalidade espanhola foi o primeiro a deixar o navio, utilizando pequenas embarcações. Eles foram transportados de ônibus até o aeroporto local e, de lá, seguiram para Madri a bordo de uma aeronave do governo espanhol.
Na sequência, desembarcaram os passageiros com destino à Holanda, Canadá, Turquia, França, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos. O último voo de repatriamento está previsto para a segunda-feira (11), com destino à Austrália. Segundo as autoridades sanitárias espanholas, todos os passageiros são assintomáticos e, durante toda a operação, nenhum deles terá contato direto com a população de Tenerife. Para garantir isso, uma zona marítima de exclusão temporária foi criada ao redor do navio na sua chegada, e o trajeto dos viajantes em terra foi "isolado".
Durante a semana anterior, três pessoas já haviam sido retiradas da embarcação em Cabo Verde, antes de seguirem para a Europa em um avião medicalizado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou seis casos confirmados de hantavírus entre oito casos suspeitos no navio, incluindo três pessoas que morreram em decorrência do vírus. Trata-se de uma doença conhecida, porém rara, para a qual não existe vacina nem tratamento específico, e que pode provocar, entre outras complicações, uma síndrome respiratória aguda. A situação despertou atenção mundial, seis anos após a pandemia de Covid-19, que ainda permanece viva na memória coletiva. Todos os passageiros do MV Hondius, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, são considerados "contatos de alto risco" e deverão ser monitorados por 42 dias, conforme orientação da OMS.
No entanto, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que a situação não pode ser comparada à pandemia de Covid-19. Ao chegar às Ilhas Canárias na noite de sábado (9), Ghebreyesus disse "ouvir" e "compreender" a "preocupação legítima" da população local, afirmando — como já havia escrito em carta dirigida aos moradores — que o risco de transmissão da doença "é baixo".
O hantavírus é geralmente transmitido a humanos a partir de roedores infectados, principalmente por meio de urina, fezes e saliva. Especialistas confirmaram, porém, que a variante detectada a bordo do navio, chamada de Andes, é uma cepa rara que pode ser transmitida de pessoa para pessoa, com um período de incubação que pode chegar a seis semanas. Nos últimos dias, autoridades de saúde de vários países têm se empenhado em localizar os contatos próximos para isolá-los e realizar testes, com o objetivo de rastrear a cadeia de contaminação e contê-la.