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A Arquidiocese de Belo Horizonte vai incluir o retrato do padre Francisco Martins Dias na galeria oficial de párocos da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, no Centro da capital mineira. A iniciativa busca reconhecer a trajetória do sacerdote negro que desempenhou papel fundamental no período de fundação da cidade, corrigindo décadas de ausência nos registros oficiais da Igreja Católica em BH. Francisco Martins Dias foi o último vigário do antigo Arraial do Curral del Rei, localidade que deu origem à capital mineira, e tornou-se o primeiro pároco da nova cidade planejada. As informações são do Metrópoles.
Apesar de sua atuação direta no processo de transição até a construção de Belo Horizonte, o sacerdote ficou fora, por décadas, da memória oficial da Igreja Católica na capital. A cerimônia de inclusão do retrato está marcada para a próxima quarta-feira (27/5). O padre Mauro Luiz da Silva, responsável por apresentar a proposta à Arquidiocese, afirma que a iniciativa busca corrigir um apagamento histórico. "Padre Francisco Martins Dias teve participação decisiva na história de Belo Horizonte, mas acabou invisibilizado ao longo do tempo. A inclusão do retrato dele na galeria é uma forma de reconhecer oficialmente essa trajetória", afirmou.
Além de sua atuação religiosa, Francisco Martins Dias também fundou o primeiro jornal de Belo Horizonte e foi um dos primeiros cronistas da história da cidade, ampliando ainda mais sua relevância para a memória local. Para o padre Mauro Luiz da Silva, o reconhecimento ultrapassa a esfera religiosa e dialoga com debates sobre memória e reparação racial. "É um reconhecimento importante não apenas para a Igreja, mas para a própria cidade, porque ele participou diretamente de um momento fundacional de Belo Horizonte", disse. A homenagem representa, portanto, um gesto simbólico de reparação histórica para um dos personagens centrais da formação da capital mineira.