
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), preste esclarecimentos sobre a viagem do deputado federal Mario Frias (PL) ao exterior. O prazo estabelecido é de 48 horas e envolve a situação funcional do parlamentar e o período autorizado para sua participação em uma suposta missão oficial. O deputado estaria em Bahrein. A informação foi publicada inicialmente pela jornalista Camila Bonfim, do G1, e confirmada pelo Metrópoles.
A cobrança de Flávio Dino ocorre após o STF tentar intimar Mario Frias por quase um mês para que ele explique o repasse de emendas parlamentares destinadas à organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, ligada à produção do filme "Dark Horse", que retrata a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. Segundo denúncia feita ao Supremo, o deputado teria destinado R$ 2 milhões à ONG.
A denúncia e as organizações investigadas
A última tentativa de intimação partiu de uma ação da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), que requisitou a apuração de repasses de emendas parlamentares para o que classificou como um "ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas". Segundo a denúncia, Mario Frias, que além de parlamentar é produtor-executivo do filme, repassou valores oriundos de emendas parlamentares à ONG "Instituto Conhecer Brasil". São questionados repasses às seguintes organizações: Instituto Conhecer Brasil, Academia Nacional de Cultura, Go Up Entertainment e Conhecer Brasil Assessoria.
De acordo com a denúncia de Tábata Amaral ao STF, todas essas organizações estariam sob o comando de Karina Ferreira da Gama, produtora cultural ligada à produção do filme "Dark Horse".
Flávio Dino, relator da ação, decidiu intimar os deputados federais Mario Frias, Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS). A decisão é do dia 21 de março, no âmbito da ADPF 854.
Segundo a denúncia, a ONG Academia Nacional de Cultura também teria recebido cerca de R$ 2,6 milhões de parlamentares como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.
O filme "Dark Horse" voltou ao centro das atenções após a divulgação de um áudio do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, no qual ele cobra dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a produção do longa.