
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), divulgou uma nota oficial após o vazamento de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro afirmou que o contato com Vorcaro teve como único objetivo buscar patrocínio privado para um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e declarou: "Não ofereci vantagens em troca".
O caso veio à tona após reportagem publicada nesta quarta-feira (13) pelo "Intercept Brasil", que afirma ter tido acesso a áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários relacionados à negociação.
Segundo o veículo, Flávio Bolsonaro teria negociado um repasse de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — diretamente com Vorcaro para financiar o longa-metragem "Dark Horse", cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
A nota de Flávio Bolsonaro
Na íntegra, Flávio Bolsonaro escreveu: "Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ".
De acordo com documentos acessados pelo "Intercept Brasil", pelo menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões - já foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências bancárias destinadas ao financiamento do projeto.
O filme é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo ator Jim Caviezel.
O áudio vazado
Entre os materiais divulgados, há uma mensagem de áudio enviada por Flávio Bolsonaro a Vorcaro, na qual o senador relata dificuldades para arcar com os custos da produção e cobra o ex-banqueiro pela continuidade dos pagamentos.
No áudio, Flávio Bolsonaro afirma: "Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque está num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim".
Na sequência, Flávio Bolsonaro alerta para o risco de perder contratos, atores, diretor e toda a equipe caso os pagamentos não sejam retomados: "Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque eu já tenho muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar. Não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Pode me dar um toque aí, irmão".
A transcrição completa do áudio também foi divulgada pelo "Intercept Brasil", na qual Flávio Bolsonaro inicia dizendo: "Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda".
O áudio termina com: "Desculpa o áudio longo. Um abração. Fica com Deus, cara".
O episódio ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e às discussões sobre a instalação de uma CPI para apurar o caso, bandeira que Flávio Bolsonaro reiterou em sua nota.