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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (13/5) que decidiu abrir um canal direto com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para evitar que "fofocas" e informações distorcidas sobre seu nome cheguem à Corte sem contraponto. A declaração foi feita após uma visita institucional ao ministro, no terceiro andar do Palácio do STF.
Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro disse que pretende manter uma relação "centrada" e "propositiva" com o Judiciário, numa tentativa de demonstrar um perfil menos confrontador do que o adotado pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante parte de seu governo. Segundo ele, a conversa com Fachin teve como objetivo estabelecer uma interlocução direta entre os Poderes e evitar ruídos políticos típicos da capital federal. "Fiz questão de vir aqui, me apresentar, trocar um pouco de ideia com ele do que eu penso do país, como vou me comportar.
Sendo mais propositivo do que reagindo a provocações", afirmou o parlamentar. "Quero ter um canal aberto. Se chegarem fofocas com o meu nome, quero que tenham a oportunidade de me ouvir diretamente", completou o senador ao comentar o encontro.
Apesar do tom institucional adotado na reunião com Fachin, Flávio Bolsonaro voltou a endurecer o discurso contra o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro. O parlamentar afirmou que Moraes já teria cometido "diversos crimes de responsabilidade" e declarou que, na sua avaliação, o magistrado "já deveria ter sofrido impeachment" no Senado.
O senador acusou Moraes de interferir no processo legislativo ao supostamente orientar discussões sobre a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas. Segundo Flávio Bolsonaro, o ministro, que sucederá Fachin na Presidência do STF em outubro de 2027, teria extrapolado suas funções ao atuar sobre a elaboração do texto aprovado pelo Congresso. "O que me deixa indignado são os excessos que, infelizmente, ele vem cometendo. Eu acho que ele tem cometido muitas injustiças e ultrapassado qualquer limite do bom senso, do razoável, principalmente os limites da Constituição", declarou o senador.
As declarações acontecem em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar sua interlocução política e consolidar uma imagem própria dentro do campo bolsonarista. Durante a entrevista, o senador afirmou buscar uma relação de "bonança entre as instituições", ao mesmo tempo em que manteve o discurso crítico a decisões do Supremo e ao governo federal. Nos bastidores políticos de Brasília, a aproximação institucional com Fachin foi interpretada como um movimento para reduzir resistências no Judiciário e em setores do centro político, diante da possibilidade de uma candidatura presidencial ligada ao sobrenome Bolsonaro em 2026.