
Foto: José Cruz/Agência Brasil
O etanol hidratado registrou a queda mais intensa entre os combustíveis na segunda semana de maio, atingindo o menor nível do ano. O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e o aumento da oferta no mercado interno foram os principais fatores responsáveis pelo movimento, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Na comparação com a última semana de abril, o litro do etanol recuou 3,83%, chegando à média nacional de R$ 4,48. O resultado tornou o biocombustível mais vantajoso para o motorista do que a gasolina. Em relação ao pico registrado em meados de abril, quando o produto estava em R$ 4,82 por litro, a redução acumulada foi de 7%, conforme informou a Veloe.
Enquanto gasolina e diesel S-10 passaram por uma acomodação parcial após as altas registradas entre o fim de março e o início de abril, o etanol aprofundou o movimento de queda iniciado ainda na segunda semana de abril, reforçando a influência da maior oferta do biocombustível sobre os preços. Na mesma comparação com a última semana de abril, a gasolina comum e o diesel S-10 apresentaram reduções mais moderadas, de 0,27% e 1,27%, chegando a R$ 6,76 e R$ 7,21 por litro, respectivamente. A diferença no ritmo de queda entre os combustíveis evidencia o impacto direto da safra canavieira sobre o etanol.
A baixa também melhorou a atratividade do etanol frente à gasolina. A relação entre os preços recuou de 71,7% no fim de abril para 69,7% na segunda semana de maio, ficando abaixo da referência de 70% utilizada como parâmetro aproximado para veículos flex. Esse patamar sugere uma pequena vantagem econômica do biocombustível na média nacional.
Entre os estados, as cinco maiores quedas em termos absolutos foram registradas em Goiás (-4,9%), São Paulo (-4,7%), Distrito Federal (-4,6%), Minas Gerais (-4,2%) e Mato Grosso (-4,1%), reforçando o impacto da safra na região Centro-Sul do país. "O mercado acompanha a evolução da moagem, além de fatores como petróleo, câmbio e o mix das usinas entre açúcar e etanol", informou a Veloe, empresa de mobilidade e gestão de frotas e frete da holding Elopar, controlada pelo Banco do Brasil e Bradesco.
O recuo do etanol ao menor nível do ano reflete, portanto, a combinação entre a expansão da oferta do biocombustível e a dinâmica do mercado de energia, consolidando uma vantagem temporária para os motoristas de veículos flex em relação à gasolina.