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O presidente americano Donald Trump tenta reabrir o Estreito de Ormuz à navegação comercial sem, contudo, levantar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. A estratégia, batizada de "Projeto Liberdade", é analisada pelos principais jornais franceses desta terça-feira (5) e busca garantir a passagem de navios comerciais pela importante rota marítima. Apesar das tentativas do Irã de barrar a manobra, a Marinha dos Estados Unidos informou ter escoltado dois navios com bandeira americana pelo Estreito de Ormuz, repelindo drones e mísseis iranianos — os primeiros ataques ordenados por Teerã desde o início do cessar-fogo, em 8 de abril.
Além disso, mísseis e drones iranianos foram lançados em direção aos Emirados Árabes Unidos, atingindo um complexo petrolífero e provocando um incêndio na região. A situação no Estreito de Ormuz voltou a se agravar após o fracasso das negociações entre Washington e Teerã. Como consequência direta da escalada das tensões, os preços do petróleo subiram no mercado internacional, ao mesmo tempo em que cresce a impopularidade de Trump dentro dos próprios Estados Unidos.
Enquanto o cenário geopolítico se deteriora, o jornal francês Libération desta terça-feira revela que, apesar de a popularidade de Trump nunca ter estado tão baixa, a família Trump enriqueceu mais de US$ 1,4 bilhão desde a volta do republicano à Casa Branca, segundo estimativas da revista Forbes. A reportagem aponta que, embora Trump não demonstre preocupação com possíveis conflitos de interesse, uma comissão parlamentar pretende investigar o caso em nome do combate à corrupção.
De acordo com a Forbes, o patrimônio total da família Trump chegaria atualmente a US$ 6,5 bilhões — um aumento expressivo que não se explicaria apenas pela venda de produtos com a imagem do presidente. Entre os exemplos citados estão a escolha de Trump de hospedar delegações estrangeiras, a custos elevados, em seu hotel em Washington ou na Flórida, além da aceitação de um avião de presente do Catar. A reportagem ainda destaca que o presidente fez questão de financiar os negócios de seus filhos. Trump exige US$ 230 milhões de indenização do Departamento de Justiça como reparação por uma busca policial realizada em sua residência em Mar-a-Lago, em 2023.
Ele também reivindica US$ 10 bilhões do fisco americano pela divulgação de sua declaração de imposto de renda, em 2021. Além disso, o presidente moveria ações com pedidos de indenização contra instituições financeiras como o JP Morgan, o canal de notícias CBS e empresas como Meta, YouTube e Amazon, que considera terem agido contra seus interesses. O cenário atual combina, portanto, uma crise geopolítica no Estreito de Ormuz, com impactos diretos nos preços do petróleo, e questionamentos crescentes sobre o enriquecimento da família Trump durante o atual mandato presidencial.