
Deputados bolsonaristas do PL embarcaram para os Estados Unidos para um novo encontro com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive autoexilado com a família no país desde março de 2025. A viagem ocorre em meio ao escândalo envolvendo suspeitas de que Eduardo teria recebido dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo investigações da Polícia Federal (PF), para fazer lobby contra autoridades brasileiras em articulação com o governo de Donald Trump. Eduardo Bolsonaro é réu em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga sua atuação junto à gestão Trump em favor de sanções a ministros do governo Lula e da Corte.
O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Os deputados federais Gil Diniz (PL-SP) e Paulo Mansur (PL-SP), dois dos principais aliados de Eduardo em São Paulo, já estão no Texas. Os encontros com o chamado "filho 03" devem ocorrer até o fim de semana. Também estão previstas as presenças do deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) e do deputado federal Mario Frias (PL-SP).
Frias é roteirista e produtor executivo da polêmica obra cinematográfica Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Após afirmar que o filme não tinha "um centavo" de Vorcaro, o deputado apareceu em áudio agradecendo ao banqueiro pelo aporte feito à produção. A viagem foi marcada antes da revelação do escândalo ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Intercept Brasil. O pré-candidato à Presidência teria cobrado dinheiro do banqueiro investigado para financiar o filme, além de tê-lo visitado no final de 2025, logo após Vorcaro ser preso pela segunda vez.
O assunto tomou conta das conversas entre aliados de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Segundo as investigações, ao menos R$ 61 milhões teriam sido enviados a um fundo ligado ao advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro que atua em questões migratórias envolvendo o ex-parlamentar. Diante disso, a PF passou a investigar se o dinheiro doado por Vorcaro para o filme teria sido desviado para bancar a estada de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Essa não é a primeira viagem de comitiva de deputados bolsonaristas até Eduardo Bolsonaro desde o início da montagem de chapas com vistas à eleição de outubro. Em março, aliados do "filho 03" foram ao menos duas vezes aos EUA para conversar com o ex-deputado. À época, os encontros ocorreram em meio à disputa pela indicação da candidatura ao Senado por São Paulo, escolha tratada como prerrogativa de Eduardo Bolsonaro.
O escolhido para a vaga foi o deputado estadual André do Prado (PL-SP), pupilo de Valdemar Costa Neto e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que também realizou ao menos três viagens aos Estados Unidos para conversar com Eduardo Bolsonaro. No fim, Eduardo acabou ficando como o 1º suplente da chapa de André.
As viagens recorrentes de deputados do PL para se reunir com Eduardo Bolsonaro levantaram suspeitas entre adversários de que os parlamentares estariam levando dinheiro para auxiliar sua estada nos Estados Unidos. Os parlamentares negam as acusações. O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), por exemplo, chegou a insinuar em um podcast que Eduardo Bolsonaro teria "vendido" sua vaga na chapa para o Centrão, representado por André e Valdemar.