
Flávio Bolsonaro em Campinas - Foto: Bianca Gomes/Estadão
O senador e pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira, 15, que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, "era um astro no Brasil".
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro utilizou esse argumento para justificar ter solicitado recursos ao banqueiro, que foi preso por suspeita de fraudes na instituição financeira.
"Quando houve esse contato com ele, Daniel Vorcaro era um astro no Brasil. Circulava bem entre autoridades de Brasília, era cortejado por bancos, não tinha problema nenhum. Portanto, foi naquele momento o maior investidor desse filme, com dinheiro privado", declarou Flávio em entrevista à CNN Brasil.
Na mesma entrevista, o senador admitiu ter conversado com Daniel Vorcaro para pedir "patrocínio" destinado à produção de um filme, afirmando que não havia irregularidades nas transações.
Flávio também reconheceu a possibilidade de que algum "videozinho" com o banqueiro venha a ser divulgado, mas garantiu que o contato entre os dois se deu exclusivamente para tratar da produção cinematográfica.
"Pode vazar um "videozinho" mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha", afirmou Flávio.
O senador justificou que pediu os recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, alegando desconhecer as irregularidades no banco à época.
No entanto, segundo as datas das mensagens reveladas pelo site Intercept Brasil, Flávio mantinha contato com o banqueiro quando as investigações da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre as fraudes do Master já eram de conhecimento público.
O Estadão confirmou com fontes que têm acesso à investigação que os diálogos são autênticos. O próprio Flávio admitiu os pedidos e defendeu se tratar de "patrocínio".
Segundo a reportagem, teria havido uma negociação para que Daniel Vorcaro contribuísse com a produção do filme em valor equivalente a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134,4 milhões na conversão do câmbio da época.
Até 2025, Flávio teria recebido pagamentos no valor de US$ 10 milhões (R$ 56 milhões).
As conversas registradas entre Flávio e Daniel Vorcaro ocorreram entre 8 de dezembro de 2024 e 16 de novembro de 2025.
Nesta última data, o senador teria pedido dinheiro ao banqueiro e, nos áudios, chegou a comentar que compreendia que Vorcaro estava passando por um "momento dificílimo".
Essa conversa aconteceu três meses após as investigações sobre as fraudes do Master virem a público.
Conforme revelou o Estadão, em 20 de agosto de 2025, uma investigação da CVM apontou pela primeira vez a suspeita de crimes financeiros na gestão do Master, por meio de investimentos milionários fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos em empresas vinculadas à família de Daniel Vorcaro.
Em 30 de setembro de 2025, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de crimes envolvendo a gestão do banco e a tentativa de compra pelo Banco de Brasília (BRB), que já havia sido rejeitada pelo Banco Central no início do mesmo mês.
O caso foi amplamente noticiado pela mídia nacional.
Cerca de dois meses depois, Flávio contatou Daniel Vorcaro para "cobrar" os pagamentos referentes à produção do filme.
No dia seguinte a essa conversa, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco.
O Master foi liquidado pelo Banco Central no dia 18 de novembro de 2025.