
Foto: Rafael Campos/Governo do RJ
Integrantes da esquerda e parlamentares governistas comemoraram a operação da Polícia Federal (PF) que mirou o ex-governador Cláudio Castro (PL) na manhã desta sexta-feira. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência dele na mesma ação que teve como alvo Ricardo Magro, dono do grupo Refit, contra quem foi expedido mandado de prisão preventiva. Como o empresário reside fora do Brasil, a PF também solicitou a inclusão do nome dele na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
A operação contra Cláudio Castro foi celebrada nas redes sociais por representantes da esquerda, entre eles Marcelo Freixo (PT-RJ), ex-deputado federal e ex-presidente da Embratur. "Eu avisei lá atrás que Castro ia ser preso, não é? Parece que essa hora está chegando", escreveu em publicação no X. Anielle Franco (PT), ex-ministra da Igualdade Racial e pré-candidata a deputada federal, também se manifestou, lembrando que o ex-governador "renunciou um dia antes de ser cassado acaba ser alvo de uma operação". "Mais um cidadão "de bem" envolvido em corrupção", acrescentou.
Também do PT, Tainá de Paula, ex-secretária municipal do Meio Ambiente e aliada do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), afirmou que "o inelegível Cláudio Castro aparece no centro de uma operação da Polícia Federal" que "investiga um esquema de sonegação de impostos que poderia estar financiando saúde, educação e políticas públicas no Rio". O vereador William Siri, pré-candidato ao governo do estado pelo PSOL, destacou que "esse é o triste retrato das últimas décadas no Rio de Janeiro, com governadores presos e/ou cassados".
A ação foi batizada de operação Sem Refino e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura a atuação de um conglomerado econômico do setor de combustíveis por suspeita de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Ao todo, estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
As apurações envolvem possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de uma refinaria vinculada ao grupo Refit. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. A operação contou com apoio técnico da Receita Federal do Brasil.
A investigação integra as apurações conduzidas pela PF no âmbito da chamada ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro. Além de Cláudio Castro, também são alvos o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Cláudio Castro, que pretende disputar uma vaga no Senado neste ano, deixou o comando do estado no final de março, na véspera da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível.
Desde então, o estado é governado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto. O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, informou que "ainda não tem conhecimento da motivação da busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes". Segundo informações da TV Globo, o ex-governador estava em casa no momento da operação.