Flavio "tem que ser investigado", diz Ciro Nogueira

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Investigado no caso Master, Ciro Nogueira afirma que Flávio Bolsonaro "tem que ser investigado" e defende punição exemplar para culpados
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) evitou tomar partido em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (21/5), ao ser questionado sobre a polêmica envolvendo mensagens e áudios enviados pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em entrevista à TV Clube, do Piauí, Ciro Nogueira foi direto ao ponto: "Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente".
O posicionamento de Ciro Nogueira chama atenção por dois motivos: o senador é investigado pela Polícia Federal no próprio caso Master e chegou a ser cotado como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o parlamentar manteve um discurso de equidistância, defendendo que nenhum político deve ser protegido caso cometa atos ilícitos. "Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei", completou ele.
A polêmica em torno de Flávio Bolsonaro surgiu após o site The Intercept Brasil revelar um áudio no qual o senador aparece cobrando Vorcaro sobre valores relacionados ao financiamento do filme biográfico "Dark Horse", produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o banqueiro teria desembolsado aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o projeto.
No dia 5 de abril deste ano, Ciro Nogueira foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal e diretamente relacionada ao caso Master. O senador é investigado sob suspeita de ter atuado como um dos braços de Daniel Vorcaro. De acordo com relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 10 de maio, Vorcaro e Ciro Nogueira mantinham uma relação que envolvia interesses políticos e financeiros.
Os investigadores sustentam que o senador teria agido em favor do Banco Master no Congresso Nacional e, em contrapartida, recebido vantagens econômicas e patrimoniais. O cenário coloca Ciro Nogueira em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que responde a investigações, posiciona-se publicamente sobre o caso de um aliado político, sem, no entanto, oferecer qualquer defesa direta.