
Fachada do Banco Central | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O Banco Central reafirmou nesta segunda-feira (25) que a liquidação do Banco Master e das instituições integrantes do conglomerado não gerou efeitos sistêmicos no SFN (Sistema Financeiro Nacional). A avaliação consta no Relatório de Estabilidade Financeira e já havia sido antecipada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, na terça-feira anterior (19). Segundo a autarquia, a capitalização e a liquidez do sistema financeiro brasileiro permanecem em níveis confortáveis, com provisões adequadas ao nível de perdas esperado. Após a liquidação, os clientes ressarcidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) direcionaram seus recursos principalmente para instituições financeiras de maior porte e de maior relevância sistêmica, movimento considerado esperado em eventos de resolução bancária.
Na semana passada, Galípolo havia reforçado a mesma avaliação ao destacar que o Banco Master correspondia a menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro nacional.
Para ele, o caso ganhou relevância pelo destino dado ao dinheiro depositado na instituição, e não pelo tamanho do seu passivo. O banco foi liquidado pelo BC em novembro do ano passado. "Ele é um banco S3", afirmou Galípolo, utilizando a nomenclatura interna da autarquia. "Para explicar, e espero que os outros bancos S3 não se ofendam, [era] da terceira divisão do futebol que é o sistema financeiro brasileiro".
O Banco Master atraía atenção no mercado financeiro por oferecer CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com retornos elevados, lastreados na garantia do FGC, fundo privado que cobre aplicações de até R$ 250 mil por investidor.
Investigações e afastamentos no Banco Central
A Polícia Federal conduz uma série de investigações ligadas ao Banco Master, apurando suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e uso de recursos públicos em operações da instituição. As apurações também revelaram gastos milionários com festas e despesas de autoridades políticas. No âmbito dessas investigações, dois servidores do BC foram afastados. Uma apuração interna concluiu que o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana simulou dois contratos, totalizando R$ 4 milhões, com um advogado ligado ao Banco Master para receber propina. O ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza também foi afastado, sendo suspeito de ter manipulado informações sobre a atuação do Banco Master quando chefiava a área de Fiscalização, na gestão de Roberto Campos Neto, para afastar suspeitas da cúpula do órgão e contornar investigações internas.
O relatório do BC também apontou que a materialização de risco aumentou no crédito às famílias, enquanto se manteve relativamente estável no crédito às empresas. Os ativos problemáticos cresceram em todas as modalidades de crédito para famílias, com a inadimplência sendo o principal fator desse aumento. "Prospectivamente, as estimativas de probabilidade de default indicam que a trajetória de alta deve permanecer para a maioria das modalidades", informou o BC. No crédito às empresas, as probabilidades de default mantiveram tendência de queda em todos os portes, ainda que em níveis considerados elevados.
O BC também sinalizou que a desaceleração do crédito prossegue, em linha com a moderação do crescimento da atividade econômica, e que as instituições financeiras continuam reduzindo o apetite ao risco. "Mesmo com o dinamismo do mercado de trabalho, com ganhos consistentes de renda e redução expressiva do desemprego, o comprometimento de renda das famílias elevou-se ainda mais. O maior impacto ocorreu entre os tomadores de menor renda, com forte contribuição de modalidades de crédito mais caras", avaliou o BC.
Por fim, os resultados dos testes de estresse indicaram que o sistema bancário possui capitalização adequada e resiliência em todos os cenários simulados, segundo o relatório.
