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A rede de atacarejo Assaí anunciou o lançamento de cerca de 200 produtos de marca própria até o final do ano. A iniciativa faz parte de uma estratégia para enfrentar um momento desafiador no varejo, marcado pela queda nos lucros e pela retração no consumo das famílias brasileiras. Dos produtos previstos, aproximadamente 25 já foram lançados, incluindo arroz, feijão, pães, polenta, legumes congelados e amendoim — este último com foco no consumo ligado à Copa do Mundo.
Em julho, a rede também lança uma marca de vinho: a chilena Passo Los Vales, que será vendida no Brasil exclusivamente nas lojas do Assaí. A meta da rede é concorrer diretamente com as marcas líderes, mas com preços mais acessíveis. Segundo a empresa, os produtos de marca própria serão, em média, 20% mais baratos do que os das marcas líderes, dependendo da categoria. "O consumidor quer menor preço, mas está atento à qualidade", afirma Sérgio Leite, diretor do Assaí.
O executivo também destacou o potencial ainda inexplorado das marcas próprias no Brasil. Enquanto na Europa elas chegam a representar 37% das vendas em supermercados, no Brasil respondem por apenas 1%. Um dos principais motivos, segundo Leite, é a percepção de que esses produtos são os mais baratos, mas também os de menor qualidade. A intenção do Assaí é justamente mudar essa imagem.
Os produtos estão divididos em três linhas distintas: a marca Assaí, voltada ao consumidor pessoa física; a Assaí Chef, com foco em clientes pessoa jurídica, como lanchonetes e restaurantes; e a Econobom, posicionada como a opção de menor preço. As vendas começaram em São Paulo, com os itens disponíveis em 118 lojas no estado. A expansão para outras regiões depende de soluções logísticas e da adaptação dos produtos às demandas locais.
Com a aposta nas marcas próprias, o Assaí busca ampliar suas margens. A expectativa é que esses produtos apresentem margem média superior à de sua categoria, melhorando os resultados da rede. Além disso, quanto maior o espaço ocupado por essas marcas, melhores tendem a ser as condições de negociação com fornecedores. A estratégia é uma resposta direta ao cenário de restrição no consumo e queda nos lucros. No primeiro trimestre de 2026, o lucro do Assaí foi de R$ 86 milhões, uma queda de 46,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A empresa aponta o endividamento das famílias, as apostas esportivas (bets) e os juros elevados como fatores que prejudicam o consumo. A redução nos preços de alimentos como arroz, feijão, açúcar, óleo de soja, farinha de trigo e leite também contribuiu para os resultados mais fracos no período. Outro elemento que começa a impactar as vendas é o crescimento do uso de canetas emagrecedoras.
"O crescimento do uso desses medicamentos está mudando os hábitos alimentares de forma acelerada, com impacto sobre a demanda de carboidratos, categoria relevante na cesta de compras", disse Belmiro Gomes, presidente do Assaí, na última divulgação de resultados da empresa, em abril. Em resposta a essa tendência, a rede estuda o lançamento de produtos com maior teor de proteína em sua linha de marca própria, embora ainda sem data definida. Além das marcas próprias, o Assaí avança em outras frentes para enfrentar o cenário adverso. A rede tem investido em vendas digitais, entregas e no segmento de farmácias, com previsão de abertura de 25 unidades em São Paulo até o fim do ano.