
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou seus principais articuladores políticos a manter o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evitando um confronto direto neste momento. A orientação foi dada durante uma reunião convocada fora da agenda oficial, realizada na tarde desta segunda-feira (4) no Palácio do Planalto, com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues. No encontro, Lula fez um balanço da semana marcada por derrotas no Congresso.
A derrubada do veto sobre a dosimetria já era esperada pela equipe, mas a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pegou o Planalto de surpresa. Segundo relatos de pessoas presentes na reunião, o presidente demonstrou insatisfação com o resultado — considerado histórico — e cobrou uma recalibragem na articulação política, além de diagnósticos mais precisos sobre o cenário no Congresso.
Apesar da pressão de integrantes do governo e do PT por uma reação mais dura, Lula indicou que não pretende retaliar Alcolumbre, apontado como um dos articuladores da derrota de Messias. A avaliação do presidente é que uma eventual retirada de cargos ou espaços políticos ligados ao senador poderia travar pautas prioritárias no Senado, como o projeto que trata da jornada de trabalho 6x1 e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública. Por isso, a orientação foi manter a relação institucional. Guimarães e Randolfe foram instruídos a "tocar o barco".
Na mesma reunião, ficou definido que o senador Jacques Wagner será mantido na liderança do governo no Senado, apesar de críticas internas à sua atuação. Nos bastidores, porém, aliados do governo afirmam que o episódio deve ter desdobramentos no campo político. A rejeição de um indicado com perfil religioso ao STF pode ser explorada durante a campanha eleitoral, em gesto aos evangélicos. Além disso, governistas citam o chamado "caso Master", que atinge indiretamente Alcolumbre por envolver um aliado investigado que comandava a Amprev e fechou um acordo bilionário com o banco Master. Assim, enquanto o governo opta por preservar a relação institucional com Alcolumbre no curto prazo, o episódio da rejeição de Messias ao STF deve repercutir politicamente nos próximos meses, especialmente no contexto eleitoral.