
Indústria | Foto: CNI/Reprodução
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou queda expressiva em abril de 2026, com a receita líquida de vendas recuando 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo R$ 21,3 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Abimaq, associação que representa os fabricantes do setor. No mercado interno, o cenário foi ainda mais negativo: a receita caiu 26,6% ante abril de 2025, chegando a R$ 13,9 bilhões.
O consumo aparente também recuou 20,6%, para R$ 27,8 bilhões. No acumulado do primeiro quadrimestre, o setor apresentou retração de 12% frente ao mesmo intervalo de 2025. Segundo a Abimaq, os resultados desfavoráveis têm raízes estruturais. "O desempenho negativo observado em 2026 reflete a fraqueza das atividades relacionadas à agricultura e à indústria de transformação, setores impactados pela manutenção das taxas de juros em patamares elevados e restritivos aos investimentos produtivos", afirmou a entidade. Em contraste com o mercado doméstico, as exportações apresentaram desempenho positivo em abril, totalizando US$ 1,47 bilhão — alta de 42,7% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 43,1% na comparação com março.
A Abimaq, no entanto, pondera que parte desse resultado "reflete a base de comparação deprimida do primeiro quadrimestre de 2025, período marcado pela fraqueza da atividade industrial nos Estados Unidos, principal mercado das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos". As importações do setor somaram US$ 2,6 bilhões em abril, representando alta de 1,8% na comparação anual. Já o nível de utilização da capacidade instalada atingiu 78,9% no mês, superando o patamar de 77,5% registrado um ano antes.
A carteira de pedidos ficou em nove semanas, valor 4,1% inferior ao registrado em abril de 2025. O conjunto dos indicadores aponta para um setor que enfrenta pressões internas significativas, especialmente diante do ambiente de juros elevados, enquanto busca compensar parte das perdas por meio do mercado externo.