
Povo indígena Yanomami - Fernando Frazão/Agência Brasil
A Terra Indígena Yanomami registrou uma queda significativa de 80% nos óbitos por malária em 2025, segundo informações divulgadas pelo governo federal. Esta redução expressiva é resultado de um conjunto de medidas implementadas durante o período de emergência sanitária na região. O informe do Centro de Operações de Emergências Yanomami (COE) revela um aumento de 75,9% no número de exames realizados por detecção ativa da doença. A testagem para malária também foi ampliada consideravelmente, passando de 144.986 para 257.930 testes em 2025, o que contribuiu para o diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos.
Além da malária, outros indicadores de saúde apresentaram melhoras significativas na Terra Yanomami:
* Os óbitos por desnutrição caíram 53,2% entre 2023 e 2025, um avanço importante para a comunidade indígena. Durante esse período, o percentual de crianças menores de cinco anos com peso adequado aumentou de 45,4% para 53,8%.
* O acompanhamento nutricional de crianças também foi intensificado, com um aumento de 70,1% para 85,1% no número de crianças monitoradas regularmente. A desnutrição grave apresentou redução significativa, com o percentual de crianças com muito baixo peso diminuindo de 24,2% para 15,2%.
* No combate às infecções respiratórias agudas, houve um aumento de 254% nos atendimentos entre 2023 e 2025. Como resultado, a letalidade dessas doenças reduziu em 76% e o número de óbitos caiu 16,7% desde o início da resposta à Emergência de Saúde Pública.
A imunização na Terra Yanomami também apresentou avanços expressivos. O Ministério da Saúde confirmou um aumento de 40% no número de doses de vacinas aplicadas em 2025 em comparação a 2023, passando de 31.999 para 44.754 doses. O percentual de crianças menores de um ano com esquema vacinal completo mais que dobrou no período, subindo de 27% em 2023 para 60,6% em 2025. Entre crianças menores de cinco anos, o avanço foi de 47,4% para 78,3%.
Segundo Lucinha Tremembé, secretária de Saúde Indígena do Ministério, "os resultados refletem a ampliação do acesso à saúde no território, reafirmando o compromisso com a proteção da vida e a promoção da saúde dos povos indígenas".
Entre os avanços citados pelo governo federal está a ampliação significativa da força de trabalho em saúde no território Yanomami. Desde o início da emergência sanitária, o número de profissionais mais que triplicou, passando de 690 para mais de 2.130 trabalhadores atuando diretamente nas aldeias, na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista, e nas estruturas do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami.
No campo da infraestrutura, o COE Yanomami destacou a realização de 261 intervenções em sistemas de abastecimento de água, além da instalação de mais de 1.400 filtros, contribuindo para o acesso à água potável nas comunidades. Também foram implantados 61 sistemas de energia solar e executadas melhorias em unidades de saúde, consolidando uma base mais robusta para a atenção primária no território.
Um marco importante deste período de emergência nacional foi a reforma e ampliação do Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI) no polo base de Surucucu, no interior do território Yanomami. Desde sua reestruturação, o local, que é um ponto de referência dentro da Terra Indígena, já realizou 4.374 atendimentos ambulatoriais, incluindo 2.081 exames laboratoriais e 328 exames de ultrassonografia. A unidade atende 48 comunidades e concentra a maior parte das remoções da região.
Os dados apresentados pelo governo federal demonstram avanços significativos na saúde da população Yanomami, resultado de um conjunto de ações coordenadas que buscam reverter o quadro crítico que levou à declaração de emergência sanitária na região. A continuidade dessas ações será fundamental para consolidar os resultados obtidos até o momento.