
O papa Leão XIV - Reprodução/Vatican News
O Papa Leão XIV, primeiro pontífice americano da história, fez duras críticas ao cenário mundial atual durante sua visita a Camarões. Em seu discurso, o líder católico condenou o mundo "devastado por tiranos" e criticou severamente líderes que utilizam linguagem religiosa para justificar conflitos armados, pedindo uma "mudança decisiva de rumo" nas relações internacionais.
Durante sua participação em um encontro na maior cidade das regiões anglófonas de Camarões, região marcada por um conflito latente que já causou milhares de mortes ao longo de quase uma década, o Papa Leão XIV não poupou palavras ao criticar a distribuição de recursos globais. "Eles fecham os olhos para o fato de que bilhões de dólares são gastos em mortes e devastação, mas os recursos necessários para cura, educação e restauração não são encontrados em lugar algum", declarou o pontífice.
O Papa Leão XIV, que manteve um perfil relativamente discreto durante a maior parte de seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, com seus 1,4 bilhão de seguidores, tem emergido como um crítico declarado da guerra iniciada com os ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã. Em seu discurso mais recente, o pontífice criticou duramente os líderes que invocam temas religiosos para justificar conflitos armados.
"É um mundo virado de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta", afirmou o Papa Leão XIV, reforçando sua posição contra a instrumentalização da religião para fins bélicos.
Estas declarações seguem uma linha de pronunciamentos semelhantes feitos pelo Papa no mês passado, quando afirmou que Deus rejeitava as orações de líderes com "mãos cheias de sangue". Tais comentários foram amplamente interpretados como direcionados ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que utilizou linguagem cristã para justificar a guerra contra o Irã.
A turnê ambiciosa do Papa Leão XIV por quatro países africanos ocorre em um momento de tensão com o presidente dos Estados Unidos. Os ataques de Trump ao pontífice, iniciados na véspera da viagem e repetidos na terça-feira (14), causaram consternação na África, continente que abriga mais de um quinto dos católicos do mundo.
As críticas de Trump ao Papa Leão XIV começaram no domingo (12), quando o presidente americano chamou o pontífice de "fraco sobre crime e péssimo para a política externa" em uma postagem na rede social Truth Social. Trump continuou seus ataques nas mídias sociais na terça e quarta-feira, chegando a postar uma imagem de Jesus abraçando-o, após uma publicação anterior que o retratava como uma figura semelhante a Jesus ter provocado críticas generalizadas.
A visita do Papa Leão XIV à África reforça a importância do continente para a Igreja Católica e evidencia o contraste entre sua abordagem diplomática e a postura confrontativa do presidente americano, destacando as diferentes visões sobre o papel da religião nas relações internacionais e nos conflitos armados contemporâneos.