
Foto: ONU/Eskinder Debebe
A ONU emitiu uma declaração condenando as restrições à liberdade de imprensa impostas por Estados Unidos e Israel, além de criticar países do Oriente Médio que usam a guerra como justificativa para suprimir direitos civis.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (1º), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com a crescente subjugação do espaço civil em nome da segurança em toda a região do Oriente Médio, destacando as severas restrições impostas pelos governos ao exercício da liberdade de expressão e de reunião pacífica.
Türk denunciou especificamente as tentativas de restringir a liberdade de imprensa, mencionando as restrições impostas pelas autoridades de censura do exército israelense.
O alto comissário também criticou a ameaça da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos de revogar licenças de transmissão para veículos com coberturas consideradas críticas em relação à guerra.
O pronunciamento da ONU ocorre em um contexto onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou publicamente a demissão de jornalistas críticos ao seu governo.
Em 14 de março, Trump utilizou sua rede social Truth Social para comemorar o que chamou de "remodelação da mídia", destacando demissões em massa no Washington Post, o fim do financiamento à NPR (rádio pública americana), o encerramento da checagem de fatos "enviesada" pela Meta e a saída de diversos jornalistas de múltiplas empresas de comunicação.
A ONU também chamou atenção para a situação no Irã, que enfrenta um "apagão digital" desde janeiro, quando manifestações contra o alto custo de vida tomaram o país após a morte do ex-aiatolá Ali Khamenei, que segundo o comunicado, foi morto pelos Estados Unidos e Israel no início do confronto.
A declaração da ONU evidencia a crescente preocupação internacional com o cerceamento da liberdade de imprensa e dos direitos civis em diversas regiões, utilizando conflitos e questões de segurança como justificativa para impor restrições que comprometem princípios democráticos fundamentais.