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Nikolas Ferreira critica governo Lula por gastos de R$ 350,2 milhões com cruzeiros na COP30, seguindo a mesma linha de Flávio Bolsonaro. O deputado do PL de Minas Gerais destacou o contraste entre o alto valor investido nas embarcações e a precariedade de alguns estados brasileiros, como o Maranhão. Assim como o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Nikolas Ferreira não mencionou que o aluguel dos navios foi intermediado pela Qualitours, empresa pertencente a Marcelo Cohen, sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, em Campos do Jordão (SP).
A Qualitours não é apenas uma empresa isolada no mercado. Ela faz parte da holding BeFly, criada em 2021 por Marcelo Cohen com o impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Cohen utilizou recursos de fundos como o "B10" e o "TT", vinculados ao Master, para adquirir outras empresas para a holding, incluindo a Flytour e a Queensberry. Enquanto Vorcaro costuma afirmar que o hotel Botanique pertence à Prime You, empresa que também é proprietária dos jatinhos utilizados pelo dono do Banco Master, Marcelo Cohen já admitiu publicamente ser o proprietário do estabelecimento de luxo. Conforme revelado anteriormente, o governo Lula desembolsou pelo menos R$ 350,2 milhões para alugar os cruzeiros que serviram de hospedagem às delegações participantes da COP30, realizada em Belém. De acordo com a Casa Civil, o aluguel foi realizado pela Secretaria Especial da COP30, vinculada ao ministério, por intermédio da Embratur. A agência, por sua vez, contratou a "Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda."
Segundo documento da Casa Civil, ao qual se teve acesso, a Qualitours foi a responsável por contratar os navios das empresas "Costa Cruzeiros" e "MSC Cruzeiros". Os navios transatlânticos que serviram de hospedagem para a COP30 chegaram ao Porto de Outeiro, em Belém, na terça-feira (4/11), para acomodar as delegações internacionais durante o evento climático. A crítica de Nikolas Ferreira soma-se à de outros políticos da oposição que questionam os gastos do governo federal com a realização da conferência climática, especialmente em um momento em que diversos estados brasileiros enfrentam dificuldades financeiras e problemas estruturais.