
A Polícia Federal solicitou hoje a prisão preventiva dos investigados na operação Narcofluxo, incluindo MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa de Oliveira (proprietário do canal Choquei) e outros influenciadores. O pedido ocorre logo após a Justiça Federal conceder alvarás de soltura aos 33 alvos da operação, que estavam detidos desde 15 de abril. A decisão judicial foi baseada em um pedido de habeas corpus aceito pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na manhã de hoje. O novo pedido da PF solicita que as prisões preventivas durem 30 dias.
A questão do prazo inicial das prisões foi justamente o que motivou a defesa a solicitar habeas corpus ao STJ. Até o momento, não há decisão da Justiça acatando ou negando a solicitação da Polícia Federal. Ao conceder o habeas corpus, o STJ entendeu que houve "flagrante ilegalidade" na prisão dos investigados. No documento, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso, afirmou considerar ilegal a decisão judicial que decretou prisão temporária de 30 dias, uma vez que a própria Polícia Federal havia solicitado à Justiça prisão de apenas cinco dias, prazo que já foi ultrapassado.
Os investigados foram detidos em caráter temporário, um tipo de prisão utilizado durante investigações e que possui prazo limitado. Na decisão, o juiz determinou que o habeas corpus vale para todos os presos na operação que se encontrem em situação semelhante. O escritório Cassimiro & Galhardo Advogados informou que, em razão do Habeas Corpus impetrado pela defesa, o STJ proferiu decisão liminar reconhecendo a ilegalidade das prisões de MC Ryan SP, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo, determinando as providências necessárias para o imediato restabelecimento da liberdade.
MC Ryan SP é apontado pela PF como líder e beneficiário econômico do esquema. Segundo a investigação, o artista utilizava empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. Para proteger seu patrimônio, o MC teria transferido a participação em empresas para familiares e operadores financeiros. Para lavar dinheiro obtido de forma ilegal, ele supostamente comprava imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor, conforme apuração da PF. No total, foram cumpridos 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões. As ordens judiciais foram executadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
MC Poze foi preso em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro, enquanto MC Ryan SP foi detido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista. A operação resultou no bloqueio de uma quantia bilionária e na apreensão de veículos de luxo. A Justiça autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 1,6 bilhão. Além disso, cerca de R$ 20 milhões foram apreendidos apenas em veículos, conforme declaração do delegado Marcelo Maceiras. O delegado explicou que a PF "segue o caminho do dinheiro" e que o trabalho investigativo começou ainda em 2023, com a apreensão de um veleiro com drogas.
Ele ressaltou que a investigação continua após as prisões, e o objetivo agora é encontrar o "contador" do esquema. "A gente chegou nesse ponto, mas as investigações ainda vão prosseguir", afirmou o delegado. Segundo ele, ainda existem lacunas sobre a movimentação e a destinação final do dinheiro. Maceiras também mencionou que, ao rastrear recursos do tráfico de drogas, a investigação inevitavelmente chega a organizações criminosas, embora tenha evitado citar grupos específicos.