
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência da República, por suas relações com os Estados Unidos envolvendo a exploração de terras raras no Brasil.
Durante entrevista concedida ao "ICL Notícias" no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (8/4), Lula acusou Flávio de querer "vender" recursos naturais estratégicos brasileiros para os americanos. "Ele [Flávio] quer vender para os Estados Unidos uma coisa que é tão importante para o Brasil, tão importante quanto o petróleo", afirmou o presidente, referindo-se às terras raras, minerais considerados estratégicos para diversas indústrias de alta tecnologia.
Lula também não poupou críticas a Ronaldo Caiado, classificando como "vergonha" o memorando de entendimentos assinado pelo governo de Goiás, quando comandado por Caiado, com o governo americano sobre a exploração de minerais críticos e terras raras no estado. "É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União", declarou o presidente.
Em tom enfático, Lula questionou as intenções desses políticos em relação ao patrimônio nacional: "Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir que depois de levar nosso ouro, nossa prata, nossas florestas... o que eles querem mais? O que querem esses brasileiros que têm complexo de vira-lata, que vão para os EUA pedir para o Trump invadir o Brasil, prometem dar para o Trump aquilo que quem tem vergonha não oferece? Nós vamos deixar?"
O presidente também aproveitou a oportunidade para reiterar suas críticas ao ex-presidente americano Donald Trump, afirmando que ele se comporta como se fosse um "imperador" do mundo. Quando questionado sobre a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, Lula respondeu que "do Trump, nada é impossível", mas ressaltou que "se ele fizer, vamos dizer que ele está mentindo e ele vai ter um enfrentamento político desnecessário".
Na avaliação de Lula, as eleições presidenciais deste ano no Brasil terão como tema central a "defesa da democracia", repetindo o tom da disputa eleitoral de 2022, quando ele se elegeu contra Jair Bolsonaro.