
Gás de cozinha | Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (2) que vai cancelar um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, realizado pela Petrobras na terça-feira (31). Segundo o presidente, a operação provocou um aumento no preço do produto antes mesmo de chegar às distribuidoras, contrariando orientações do governo.
Em entrevista à TV Record Bahia, Lula classificou o leilão como "uma cretinice, bandidagem" e afirmou que a operação foi realizada contra a vontade da direção da empresa e do governo, que haviam orientado para que não houvesse aumento no preço do GLP. "Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem, que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da Petrobras, de não aumentar o GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção", declarou o presidente. Lula garantiu que a operação será anulada pelo governo: "Nós vamos rever esse leilão, vamos anular, porque o povo pobre não vai pagar essa conta." O leilão realizado pela Petrobras comercializou gás de cozinha com valores acima dos preços habituais, com algumas distribuidoras pagando mais que o dobro do valor normal.
O volume negociado corresponde a aproximadamente 11% do consumo mensal do país. Esta situação ocorre em um contexto de alta do GLP no mercado internacional, pressionado pela guerra no Oriente Médio. Apesar de ser produtor de petróleo, o Brasil ainda depende de importações, o que faz com que os preços internos sejam influenciados pelo cenário externo. Na prática, o leilão funcionou como uma forma indireta de aumento, sem que houvesse uma mudança oficial na tabela de preços da Petrobras, mas pressionando o valor final do botijão ao consumidor.
A estatal afirma que mantém o preço do GLP estável desde novembro de 2024 nas vendas diretas às distribuidoras. Mesmo assim, o presidente criticou a diferença entre o valor de venda da Petrobras e o preço final ao consumidor. "Quando a Petrobras vende um botijão a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 140, R$ 150. Tem alguma coisa errada no meio do caminho", afirmou Lula.
O caso mais extremo do aumento ocorreu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde o preço de referência era de R$ 2.596 por tonelada e o aumento chegou a 117%, com impacto estimado de até R$ 8,29 por botijão. Em Betim, Minas Gerais, a alta foi de 47%. O presidente também expressou preocupação com a alta do diesel, que impacta diretamente o preço dos alimentos. O Brasil importa cerca de 30% do combustível consumido internamente. O governo está estudando a implementação de uma medida provisória para subsidiar o diesel importado, com desconto estimado em R$ 1,20 por litro.
"Pode ficar certo que o povo não vai pagar. Tem gente aumentando preço sem necessidade", garantiu o presidente. A escalada dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha tornou-se uma das principais preocupações do governo Lula, devido ao impacto direto no custo de vida da população e na inflação do país.