
Leão XIV viajou nesta terça-feira (14) à Argélia, local de nascimento de Santo Agostinho de Hipona, após ser publicamente criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com a Reteurs, o pontífice prestou homenagem ao Santo, destacando uma conexão pessoal com a figura católica que estabeleceu critérios para avaliar se guerras poderiam ser consideradas justas.
Santo Agostinho, falecido no ano 430, defendia que guerras só deveriam ser travadas para defesa contra agressões ou proteção de inocentes, sempre com a intenção de restaurar a paz e nunca motivadas pelo desejo de crueldade.
A visita faz parte de uma viagem de 10 dias do Papa por quatro países africanos, durante a qual ele afirmou a jornalistas sua intenção de continuar criticando os conflitos armados.
O Papa Leão XIV tem mantido um posicionamento firme contra as guerras, fazendo apelos pela paz mundial nos últimos dias.
Essas críticas provocaram irritação no presidente dos EUA, Donald Trump, que reagiu com ataques ao pontífice.
No domingo (12), Trump publicou uma extensa mensagem no Truth Social criticando Leão XIV.
Na publicação, o presidente americano afirmou que o pontífice é "fraco" e que "só foi escolhido porque era americano e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Trump".
Trump ainda declarou: "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano".
Posteriormente, ao ser questionado por repórteres, Trump recusou-se a se desculpar com o Papa, afirmando que "o papa Leão disse coisas incorretas. Ele foi muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não se pode ter um Irã nuclear".
O presidente americano acrescentou que considera o papa "muito fraco em relação ao crime e outras coisas".
Em resposta às críticas, na manhã de segunda-feira (13), Leão XIV declarou a jornalistas que não pretende entrar em debate com Trump.
"Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz", disse o pontífice ao embarcar de Roma para a Argélia.
O Papa ainda acrescentou: "Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer".
Nos últimos dias, Leão XIV tem intensificado seus apelos pela paz mundial, afirmando que é necessária fé "para enfrentar juntos, como humanidade e com humanidade, esta hora dramática da história".