
O premiê britânico, Keir Starmer - Foto: Alberto Pezzali / POOL
Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, rejeitou nesta quarta-feira (22) novos pedidos de demissão no Parlamento. A pressão aumentou após revelações sobre a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
"Nada vai me desviar da minha missão a serviço do nosso país", declarou o líder trabalhista durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro. Esta foi a segunda vez nesta semana que Starmer teve que responder no Parlamento sobre este tema, que o deixou em situação delicada nos últimos meses.
O caso ganhou nova força na última quinta-feira (16), quando o jornal The Guardian revelou que o Ministério das Relações Exteriores havia habilitado Mandelson para este cargo no começo do último ano, apesar de um parecer desfavorável do organismo encarregado de verificar seus antecedentes.
Keir Starmer destituiu Mandelson em setembro de 2025, acusando-o de ter "mentido repetidamente" sobre o alcance de seus vínculos com Epstein, que morreu na prisão em 2019. No entanto, as circunstâncias da nomeação continuam gerando controvérsia.
Olly Robbins, ex-funcionário de alto nível do Foreign Office que foi destituído por Starmer na semana passada após as revelações do The Guardian, denunciou na terça-feira (21), perante uma comissão parlamentar, "a pressão constante" por parte de Downing Street pela nomeação de Mandelson.
"O primeiro-ministro tinha anunciado que Mandelson era seu candidato", destacou Robbins durante seu depoimento.
As razões específicas pelas quais um parecer desfavorável foi emitido sobre a nomeação não foram divulgadas publicamente. Veículos de imprensa britânicos mencionaram esta semana que este parecer poderia estar relacionado não apenas aos vínculos de Mandelson com Epstein, mas também com a China, através de sua empresa de consultoria.
A líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, levantou questões adicionais nesta quarta-feira sobre os vínculos entre o ex-embaixador e a Rússia. Segundo ela, um informe apontou que Peter Mandelson "permaneceu no conselho de administração da empresa de defesa Systema, vinculada ao Kremlin, muito depois da primeira invasão da Ucrânia por Putin, em 2014".
"Por que o primeiro-ministro quis nomear como embaixador em Washington um homem com vínculos com o Kremlin?", questionou a líder do Partido Conservador durante o debate parlamentar.
Apesar das crescentes pressões e questionamentos sobre sua decisão, Keir Starmer mantém-se firme em sua posição, recusando-se a renunciar ao cargo de primeiro-ministro britânico enquanto enfrenta uma das maiores crises de sua gestão.