
Embarcação "Madleen" da Freedom Flotilla (Flotilha da Liberdade) navegando em direção à Faixa de Gaza - © gazafreedomflotilla/Instagram/Arquivo
Israel interceptou navios de ajuda humanitária com destino a Gaza em águas internacionais próximas à Grécia. Os organizadores da flotilha condenaram a ação, classificando-a como uma "escalada da impunidade de Israel" e exigindo respostas da comunidade internacional.
As embarcações fazem parte da segunda flotilha da Global Sumud, organização que nos últimos meses tem tentado romper o bloqueio israelense levando suprimentos humanitários aos palestinos em Gaza.
Os navios partiram do porto espanhol de Barcelona em 12 de abril e foram interceptados na noite de quarta-feira em águas internacionais ao largo da península grega do Peloponeso, região que fica a centenas de quilômetros de Gaza.
Os organizadores da flotilha reagiram com indignação à ação israelense. "Isso é pirataria", disse o grupo em comunicado oficial. "É a captura ilegal de seres humanos em mar aberto perto de Creta, uma afirmação de que Israel pode operar com total impunidade, muito além de suas próprias fronteiras, sem consequências."
O grupo acrescentou que nenhum Estado tem o direito de reivindicar, policiar ou ocupar águas internacionais, mas que Israel teria feito exatamente isso, estendendo seu controle para fora e ocupando o Mar Mediterrâneo na costa da Europa.
Imagens divulgadas pelos organizadores mostraram soldados israelenses abordando um dos navios, com a tripulação usando coletes salva-vidas e de mãos para cima. Em seguida, os membros da tripulação foram transferidos para embarcações israelenses.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel respondeu às críticas na quinta-feira, chamando os organizadores da flotilha de "provocadores profissionais" e afirmando que suas forças agiram dentro da legalidade.
Segundo o ministério, "devido ao grande número de embarcações que participaram da flotilha e ao risco de escalada, e à necessidade de evitar a violação de um bloqueio legal, foi necessária uma ação antecipada de acordo com o direito internacional."
Este não é o primeiro episódio do tipo. Em outubro do ano passado, os militares israelenses já haviam interrompido uma flotilha anterior organizada pela mesma entidade, prendendo a ativista sueca Greta Thunberg e mais de 450 participantes.
A ação mais recente se soma a outras tentativas marítimas de alcançar Gaza sob bloqueio. Israel controla todo o acesso à Faixa de Gaza e nega que esteja retendo suprimentos para os cerca de 2 milhões de habitantes do território.
No entanto, os palestinos e organismos internacionais de ajuda humanitária afirmam que os suprimentos que chegam ao território ainda são insuficientes, mesmo após um cessar-fogo alcançado em outubro que incluía garantias de aumento da ajuda.
A interceptação dos navios reacende o debate sobre o acesso humanitário a Gaza e os limites da atuação de Israel em águas internacionais, em um contexto de crescente pressão diplomática sobre o país.