
José Cruz/Agência Brasil
O Índice de Confiança de Serviços (ICS) registrou queda de 0,6 ponto em abril em relação a março, chegando a 87,8 pontos na série dessazonalizada. Trata-se do terceiro recuo consecutivo do indicador, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Em médias móveis trimestrais, o ICS acumulou queda de 1,0 ponto.
O resultado de abril trouxe uma mudança relevante em relação aos meses anteriores: a piora se disseminou por dois componentes do índice simultaneamente. "A confiança do setor de serviços caiu pelo terceiro mês seguido, mas com mudança na composição. Nos meses anteriores, a queda era explicada exclusivamente pelo componente de expectativas, e parcialmente compensada por uma avaliação positiva da demanda corrente. Em abril, a piora se disseminou pelos dois componentes, sugerindo que o ambiente adverso pode estar começando a se refletir também na evolução da atividade atual", avaliou Rodolpho Tobler, economista do Ibre/FGV, em nota oficial.
O Índice de Situação Atual (ISA-S) recuou 0,4 ponto, atingindo 92,1 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) caiu 0,7 ponto, para 83,7 pontos. No detalhamento do ISA-S, o indicador de volume de demanda atual recuou 2,6 pontos, para 92,2 pontos, ao passo que o indicador de situação atual dos negócios avançou 1,7 ponto, chegando a 91,9 pontos.
No campo das expectativas, medido pelo IE-S, a demanda prevista para os próximos três meses caiu 1,5 ponto, para 84,5 pontos. Já a tendência dos negócios para os próximos seis meses ficou praticamente estável, com leve alta de 0,2 ponto, alcançando 83,1 pontos. O cenário macroeconômico segue como pano de fundo para a deterioração do ICS. "O endividamento das famílias em níveis recordes e os juros ainda restritivos já pesavam sobre a confiança, e a isso se soma a turbulência externa, com o conflito no Oriente Médio pressionando a inflação e adiando a perspectiva de alívio monetário, o que reduz as chances de recuperação da confiança no curto prazo", completou Tobler.
O relatório do Ibre/FGV também aponta sinais de perda de tração no mercado de trabalho do setor de serviços. Em abril, o Indicador de Emprego Previsto reverteu a trajetória de avanço observada nos meses anteriores, com piora liderada pelos segmentos de Informação e Comunicação e Serviços Profissionais. Segundo Tobler, "o recuo nas intenções de contratação nesses segmentos sugere que a incerteza do ambiente atual começa a pesar também sobre as decisões de pessoal". O levantamento que embasou o ICS de abril foi realizado entre os dias 1º e 27 do mês.