
Destruição da agência do Banco do Brasil em Guidoval —Foto: Elton Moreira/TV Integração
O ataque a uma agência do Banco do Brasil em Guidoval, na Zona da Mata mineira, ocorrido na madrugada desta sexta-feira (10/04), colocou as forças de segurança de Minas Gerais em estado de alerta para um possível retorno da modalidade criminosa conhecida como "novo cangaço".
O incidente, que aconteceu a apenas 70 metros do batalhão da Polícia Militar local, não resultou em feridos, mas reacendeu preocupações sobre esse tipo de crime que já causou prejuízos consideráveis ao estado.
"Claro que um evento dessa magnitude deixa as forças de segurança mais atentas a esse tipo de movimentação", afirmou o delegado da Polícia Federal e chefe da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), Daniel Fantini.
O ataque aconteceu no Centro de Guidoval, quando criminosos armados explodiram a agência bancária durante a madrugada. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que os suspeitos cercaram o local e utilizaram explosivos, destruindo parte da fachada e assustando moradores da região.
* Cerca de cinco minutos após a invasão, os criminosos deixaram a agência carregando uma mala e seguiram em direção a um veículo.
* Uma nova explosão foi registrada logo em seguida, lançando destroços pela rua. Dois suspeitos chegaram a ser atingidos pelos estilhaços, com um deles se jogando no chão para se proteger.
* Moradores relataram ter ouvido tiros ao longo da madrugada, enquanto a via ficou tomada por fumaça.
* Pela manhã, a Fiat Fiorino utilizada pelos suspeitos foi encontrada abandonada e incendiada na cidade vizinha de Rodeiro, a aproximadamente 25km do local do crime.
Até o momento, três suspeitos foram detidos: dois homens, de 21 e 33 anos, foram presos, e um adolescente de 17 anos foi apreendido. Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), oito pessoas são suspeitas de participação na ação, e não há indícios, até agora, de que integrem alguma facção criminosa.
Minas Gerais enfrentou um período crítico de ataques a caixas eletrônicos com uso de força extrema em um passado recente. Em 2016, quando houve recorde de casos no Estado, foram registradas 252 ocorrências, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp). Nos anos seguintes, a quantidade de registros passou por redução significativa.
O último grande ataque ocorrido em Minas Gerais havia sido há exatamente um ano, em Guaxupé, no Sul de Minas. Na ocasião, os criminosos explodiram uma agência da Caixa Econômica Federal e atiraram contra a sede da Polícia Militar da cidade, a base da Guarda Civil e uma viatura policial.
Segundo o delegado Fantini, a redução das ocorrências relacionadas ao "novo cangaço" em Minas Gerais tem várias explicações:
* Maior atuação das instituições de segurança e justiça
* Investimentos dos bancos com reforços na proteção
* Migração dos esforços dos criminosos para modalidades mais rentáveis e menos arriscadas
Mesmo assim, o delegado reforçou que estados como Minas Gerais e São Paulo são visados para explosão de agências bancárias em função da representatividade econômica e da facilidade de locomoção, com malha rodoviária expressiva que pode servir como rota de fuga, o que força vigilância contínua nessas áreas.
Em função do novo roubo em Guidoval, o delegado Fantini defende que, por intermédio da Ficco, as diferentes forças de segurança - como Polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal, além do Ministério Público, entre outras - troquem informações e reforcem o serviço de inteligência para evitar novos ataques.
"A Ficco pode atuar sendo uma força-tarefa de instituições policiais integradas, estreitando os contatos instituições para que as informações circulem de forma mais rápida para que a gente possa reagir de forma imediata e rápida para frear essas condutas", afirmou o delegado, que é o chefe da PF nessa força integrada.
Apesar do alerta lançado para o risco de retorno do "novo cangaço", Fantini lembrou que o principal negócio de facções criminosas no Estado ainda é o tráfico de drogas e armas, apesar do avanço do crime organizado para atividades lícitas da economia para lavagem do dinheiro arrecadado. O tráfico de armas também é uma atividade com representatividade em Minas Gerais.
Em nota, o Banco do Brasil (BB) afirmou que colabora com as autoridades policiais e que não divulga mais informações por questões de segurança e para não atrapalhar as investigações. Equipes da Polícia Federal foram acionadas para o local do crime em Guidoval para auxiliar nas investigações.
O ataque em Guidoval reacende o alerta para as forças de segurança em Minas Gerais, que agora trabalham de forma integrada para evitar que essa modalidade criminosa volte a se tornar frequente no estado, como já foi no passado recente.