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O Irã anunciou neste sábado (18) o novo fechamento do Estreito de Ormuz, apenas horas após a reabertura desta via marítima crucial para o transporte mundial de petróleo. A decisão surge como retaliação à manutenção do bloqueio econômico aos portos iranianos pelos Estados Unidos, reacendendo tensões no Oriente Médio. A reabertura do Estreito de Ormuz na sexta-feira havia gerado otimismo nos mercados globais, com reações positivas nas Bolsas de Valores.
O presidente americano Donald Trump chegou a declarar que um acordo de paz mais amplo entre Estados Unidos e Irã estava "muito próximo". No entanto, a situação rapidamente se deteriorou. A República Islâmica havia "aceitado de boa-fé autorizar a passagem de um número limitado de petroleiros e navios comerciais" pelo Estreito de Ormuz. Contudo, segundo um comunicado militar iraniano, os americanos "continuam com atos de pirataria amparados no chamado bloqueio". Por este motivo, a situação voltou "ao estado anterior e a passagem estratégica fica agora sob o controle rigoroso" do Irã.
O anúncio ocorreu em um momento de intensas movimentações diplomáticas que buscam encerrar o conflito no Oriente Médio, visando um acordo que vá além do cessar-fogo de duas semanas que entrou em vigor em 8 de abril entre Irã e Estados Unidos. Na manhã de sábado, o site MarineTraffic mostrava uma tímida retomada do tráfego comercial no Estreito de Ormuz, com pouco mais de 10 navios circulando na região, incluindo petroleiros. Porém, por volta das 9h00 GMT (6h00 de Brasília), pelo menos dois navios pareciam dar meia-volta.
Um cruzeiro, o Celestyal Discovery, conseguiu atravessar a via sem passageiros para um deslocamento entre Dubai e Mascate, movimento inédito desde o início da guerra em 28 de fevereiro. Antes do conflito, quase 120 navios atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz, segundo a publicação especializada Lloyd"s List. A via é estratégica, pois 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito mundiais passavam por ela antes do conflito atual. Após o anúncio iraniano da reabertura do estreito, Trump afirmou que o bloqueio americano aos portos iranianos prosseguiria "totalmente em vigor" até o fim das negociações, e que "continuaria" se um acordo não fosse alcançado.
O Comando Central dos Estados Unidos (USCENTCOM) anunciou neste sábado que "desde o início do bloqueio, 21 navios acataram as ordens das forças americanas de dar meia-volta e retornar ao Irã". No Irã, o jornal conservador Kayhan expressou hostilidade ao processo de distensão, considerando que abrir o Estreito de Ormuz "antes de receber indenizações e da suspensão total das sanções (…) dá ao inimigo pérfido a possibilidade de recuperar forças em plena batalha". Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava "muito próximo" e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, um ponto crucial das negociações. O Irã, no entanto, negou ter aceitado a transferência das reservas de urânio enriquecido.
Em paralelo aos esforços diplomáticos relacionados ao Estreito de Ormuz, o comandante do Exército e o primeiro-ministro do Paquistão anunciaram neste sábado a conclusão de visitas diplomáticas de alto nível no âmbito dos esforços de paz. O marechal Asim Munir, comandante do Estado-Maior do Exército paquistanês, concluiu uma visita de três dias ao Irã, onde se reuniu com autoridades. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif anunciou o fim de uma viagem que teve escalas na Arábia Saudita, Catar e Turquia. No Líbano, outra frente de batalha da guerra, muitos deslocados retornaram para suas casas no sul do país ou na periferia sul de Beirute após o início de uma trégua entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.
A trégua começou na sexta-feira à meia-noite (18h00 de Brasília na quinta-feira), após um mês e meio de conflito que deixou quase 2.300 mortos no lado libanês, além de um milhão de deslocados. O Exército israelense mantém a presença no Líbano em uma faixa de 10 quilômetros de profundidade a partir da fronteira, enquanto o país trabalha agora em "um acordo permanente" com Israel, segundo seu presidente, Joseph Aoun, que prometeu "salvaguardar os direitos" de seu país e "não ceder nenhum pedaço do território nacional" nas negociações.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, destacou que a ofensiva contra o Hezbollah não terminou, afirmando que "ainda há coisas que planejamos fazer a respeito das ameaças representadas pelos foguetes e drones" do movimento libanês. A situação no Estreito de Ormuz continua sendo um ponto crítico para a estabilidade regional e para o mercado global de energia, com implicações diretas para a economia mundial e as relações geopolíticas no Oriente Médio.