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A Coreia do Norte intensificou drasticamente o número de execuções durante o período da pandemia de COVID-19, segundo relatório divulgado pela ONG Transitional Justice Working Group nesta terça-feira. O documento revela que após o fechamento das fronteiras em janeiro de 2020, como medida para conter a propagação do coronavírus, o regime norte-coreano reforçou significativamente a segurança interna, resultando em um grave agravamento das violações de direitos humanos no país.
De acordo com o relatório, o número de execuções mais que dobrou nos quase cinco anos após o fechamento das fronteiras, em comparação com o mesmo período anterior. O documento também aponta para um aumento alarmante de pessoas condenadas, que triplicou durante este mesmo intervalo de tempo. Os casos de pena de morte relacionados à cultura estrangeira, religião e "superstição" aumentaram 250% após o fechamento das fronteiras, demonstrando uma intensificação da repressão contra influências externas.
Aproximadamente 75% das execuções foram realizadas em público, evidenciando uma política de intimidação coletiva por parte do regime norte-coreano. A maioria das pessoas foi executada por fuzilamento, método predominante utilizado pelo governo para aplicar a pena capital. O relatório da Transitional Justice Working Group expõe como o isolamento ainda mais severo da Coreia do Norte durante a pandemia serviu como pretexto para intensificar o controle sobre a população.
Ativistas de direitos humanos afirmam que o fechamento das fronteiras representou um significativo agravamento dos abusos e violações de direitos humanos no país. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já havia alertado no ano passado que a situação geral dos direitos humanos na Coreia do Norte durante a última década não mostrou nenhum sinal de avanço.
O novo relatório confirma essa tendência e sugere um retrocesso ainda mais grave durante o período pandêmico. A intensificação das execuções reflete a estratégia do regime norte-coreano de manter controle absoluto sobre a população em um momento de crise sanitária global, utilizando o medo e a repressão como instrumentos de governança.