
Veículos destruídos após um atentado a bomba que destruiu trecho da Rodovia Pan-Americana no sudoeste da Colômbia, neste sábado (25) (Foto: Reprodução/EFE)
Um violento ataque à bomba deixou sete mortos e mais de 20 feridos neste sábado (25) no departamento de Cauca, na Colômbia, região conhecida pela forte presença de grupos guerrilheiros. O atentado ocorre em meio a uma série de ataques armados e a pouco mais de um mês das eleições presidenciais colombianas, aumentando a tensão no país.
A explosão foi registrada em uma estrada de Cauca e atingiu diversos veículos civis. As autoridades atribuem o atentado a dissidentes da extinta guerrilha das Farc que rejeitaram o acordo de paz firmado em 2016 e continuam espalhando terror pelo território colombiano.
"Foi acionado um artefato explosivo" que "deixa sete civis mortos e mais de 20 feridos com gravidade", declarou Octavio Guzmán, governador do departamento de Cauca, em publicação na rede social X. O governador também compartilhou um vídeo mostrando as vítimas no chão e veículos virados e destruídos após o ataque.
Outros vídeos divulgados nas redes sociais revelam os danos graves causados pela explosão, incluindo buracos na via. Testemunhas relatam terem sido arremessadas por vários metros devido à força do impacto.
O presidente colombiano Gustavo Petro manifestou-se sobre o atentado, classificando os responsáveis como "terroristas, fascistas e narcotraficantes" em mensagem publicada na rede social X. "Quero os melhores soldados para enfrentá-los", acrescentou o mandatário.
Petro apontou como responsável pelo ataque Iván Mordisco, considerado o criminoso mais procurado da Colômbia, comparando-o ao notório barão da cocaína Pablo Escobar. Desde que assumiu o poder em 2022, o presidente de esquerda tentou, sem sucesso, negociar acordos de paz com as principais organizações armadas do país, que têm fortalecido suas fileiras nos últimos anos.
A violência na Colômbia tem escalado significativamente nos últimos dias:
Na sexta-feira, um atentado contra uma base militar em Cali, terceira maior cidade colombiana, deixou dois feridos e marcou o início de uma série de ataques nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca.
Segundo Hugo López, comandante das forças militares colombianas, foram registrados 26 ataques nesses departamentos apenas nos últimos dois dias.
Em 2025, atentados violentos contra forças de segurança na mesma região resultaram em mortes de civis, marcando a pior onda de violência do país na última década.
Em resposta à crescente violência, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, informou que a presença militar e policial foi reforçada na área para combater os ataques.
A ofensiva armada intensifica o clima de tensão enquanto se aproxima a eleição presidencial de 31 de maio, na qual a segurança pública se tornou um dos temas centrais da campanha.
O pleito ocorre após o assassinato do pré-candidato de direita Miguel Uribe, baleado durante um comício em junho de 2025.
De acordo com as pesquisas eleitorais, o senador Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, aparece como favorito, seguido pelos conservadores de direita Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia.
Os três candidatos denunciaram ter recebido ameaças de morte e contam com fortes esquemas de segurança.
Na Colômbia, é comum que grupos armados, financiados por atividades ilícitas como o narcotráfico, garimpo ilegal e extorsão, tentem exercer pressão violenta sobre o processo eleitoral, uma prática que tem marcado a história política recente do país.