
Foto: Câmara de BH/Reprodução
Um encontro religioso realizado dentro da Câmara Municipal de Belo Horizonte viralizou nas redes sociais e gerou um amplo debate sobre os limites do uso de espaços públicos para manifestações de fé. O evento, que ocorreu em 27 de março, foi promovido pelo coletivo Fire Up Collective, grupo que organiza reuniões com música, oração e pregação em diferentes pontos da capital mineira, como a Praça da Liberdade e a Praça da Bandeira.
As imagens que circularam nas redes mostram dezenas de participantes ajoelhados, cantando e chorando dentro do espaço legislativo. De acordo com o coletivo, mais de 300 pessoas estiveram presentes no encontro, que ganhou grande visibilidade após a divulgação dos vídeos. A repercussão dividiu opiniões nas redes sociais. Parte dos usuários defendeu a realização da atividade, desde que devidamente autorizada pela Câmara de BH. Outros, no entanto, questionaram a adequação do local, citando o princípio do Estado laico e o papel institucional do Legislativo.
Também surgiram comparações com manifestações de outras religiões e questionamentos sobre os critérios adotados para o uso do espaço por grupos externos. Em defesa do encontro, um usuário do X afirmou que "todos podem manifestar sua fé". "Deve ter sido um movimento de jovens evangélicos lá em BH. Pode ser que a Câmara não seja um lugar para isso, mas acredito que as pessoas foram sinceras nessas imagens", escreveu.
O regimento interno da Câmara de BH não trata de forma específica a realização de eventos religiosos nas dependências da Casa. O documento prevê, no entanto, a utilização do espaço para atividades como audiências públicas, reuniões de comissões, palestras, cursos e iniciativas de formação cidadã. O Metrópoles entrou em contato com a Câmara de BH para entender quais foram os critérios adotados para autorizar o evento, mas ainda não obteve retorno. O espaço para manifestação permanece aberto.