
presidente da Petrobras, Magda Chambriard
A Petrobras comunicou ao mercado nesta quarta-feira (29/4) que indicou sua atual presidente, Magda Chambriard, para ocupar a presidência do Conselho de Administração da Braskem. A movimentação ocorre em um momento de transição relevante na petroquímica, após a venda da fatia da Novonor (antiga Odebrecht) e a assinatura de um novo acordo de acionistas que amplia a influência da Petrobras sobre a gestão da companhia. A indicação de Chambriard acontece cerca de uma semana depois de a gestora IG4 Capital anunciar a compra da participação da Novonor na Braskem.
Com a transação, a IG4 Capital passa a deter 50,1% do capital votante da petroquímica, enquanto a Petrobras mantém sua fatia de 47%. O restante das ações segue sendo negociado no mercado. Magda Chambriard é engenheira civil com mestrado em Engenharia Química pela Coppe/UFRJ. Ela iniciou sua trajetória na Petrobras no começo dos anos 1980 e, entre 2012 e 2015, esteve à frente da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Em junho de 2024, retornou à estatal como diretora-presidente. Além de Chambriard, a chapa para o Conselho de Administração da Braskem inclui outros dois nomes oriundos da Petrobras: William França da Silva, atualmente presidente do conselho da Transpetro, e Fernando Sabbi Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras. O novo acordo de acionistas firmado entre a Petrobras e a IG4 Capital tem como objetivo garantir o "controle compartilhado" da Braskem.
O documento prevê a obrigatoriedade de consenso entre as partes em todas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia Geral. A estatal também passa a ter o direito de indicar número igual de representantes para o conselho e para a diretoria em relação ao novo sócio. Atualmente, dos 11 integrantes do Conselho de Administração da Braskem, a Petrobras ocupa apenas três cadeiras e não possui participação na gestão da empresa. Com o novo arranjo societário, essa realidade deve mudar de forma significativa.
No dia 21, a IG4 já havia antecipado que o novo acordo de acionistas estipularia que "a governança da companhia será equilibrada" com a Petrobras, com "a obrigação de obtenção de consenso nas deliberações" do Conselho de Administração e das assembleias de acionistas e "o direito à indicação, pelas partes, de número igual de membros para o Conselho de Administração e a diretoria estatutária". Com a indicação de Chambriard e as mudanças no acordo de acionistas, a Petrobras reforça sua posição estratégica na Braskem, ampliando sua influência sobre a gestão da petroquímica em um novo capítulo da companhia.