Tentativas ocorreram horas antes de ser detido

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Daniel Vorcaro tentou vender cobertura de luxo avaliada em R$ 60 milhões no mesmo dia de sua prisão, conforme revelam emails encontrados pela Polícia Federal. As mensagens mostram uma intensa movimentação para concretizar a venda do imóvel localizado no empreendimento Vizcaya Itaim, em São Paulo.
A sequência de eventos ocorreu em 17 de novembro do ano passado, paralelamente a outros acontecimentos significativos envolvendo o ex-banqueiro, incluindo uma reunião com o Banco Central e o anúncio da venda do Banco Master para a financeira Fictor.
* Na sexta-feira anterior (14), Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, iniciou as tratativas enviando email à Bolsa de Imóveis para organizar a venda da cobertura tríplex, confirmando o valor de R$ 60 milhões.
* Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União, representando o comprador não identificado, respondeu demonstrando interesse na negociação, mas apontou a ausência do termo de quitação como impedimento.
* Na segunda-feira (17), às 8h, a representante de Vorcaro iniciou uma série de cobranças urgentes à Bolsa de Imóveis, alegando mudanças na administração da Viking, empresa proprietária do imóvel.
* Por volta das 16h35, um minuto antes da expedição do mandado de prisão pela Justiça Federal, Vorcaro confirmou por email a autonomia de sua representante para conduzir a negociação.
O imóvel em questão pertencia à Viking, empresa conhecida por ser proprietária das aeronaves utilizadas por Vorcaro, incluindo o jato no qual ele pretendia viajar ao exterior no dia de sua prisão. Dois meses antes, Vorcaro havia vendido 55% do controle da Viking para um fundo administrado pela Reag.
As mensagens descobertas pela PF evidenciam que, mesmo após ter renunciado ao cargo de administrador da Viking, Vorcaro ainda mantinha ligação com a empresa em novembro, sendo incluído nas comunicações sobre a venda do imóvel.
A negociação não foi concluída devido à prisão de Vorcaro naquela noite, seguida pela liquidação do Banco Master na manhã seguinte pelo Banco Central.