Aliados tentam evitar uma delação seletiva

Vorcaro articula delação premiada após manutenção de prisão no STF
Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, iniciou articulações para um acordo de delação premiada após ter sua prisão confirmada por três dos quatro ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Por meio de seu novo advogado, José de Oliveira Lima, o banqueiro já estabeleceu contatos iniciais com investigadores, sinalizando sua disposição para realizar uma “delação séria”.
A movimentação do banqueiro surge em um momento crítico, especialmente após intensas articulações de políticos do Centrão, que mantiveram negócios com Vorcaro e buscavam garantir uma “delação seletiva”. No entanto, os defensores foram alertados sobre a impossibilidade de uma colaboração que preserve determinados envolvidos.
* A maioria pela manutenção da prisão de Vorcaro foi estabelecida na última sexta-feira (13), com votos favoráveis dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
* O ministro Gilmar Mendes ainda não se manifestou, enquanto Dias Toffoli declarou-se suspeito após deixar a relatoria do caso em fevereiro, devido a um dossiê da Polícia Federal que apontava conexões entre o magistrado e Vorcaro.
A expectativa é que o acordo seja estabelecido em conjunto com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), sob supervisão do ministro André Mendonça, atual relator do caso no STF.
Um aspecto relevante é que o novo advogado de Vorcaro também representa João Carlos Mansur, proprietário da gestora de recursos Reag. Segundo investigações da PF, a Reag era um dos principais canais utilizados para distribuição de recursos desviados do Banco Master para contas pessoais do banqueiro, sócios e pagamentos a políticos e autoridades públicas. Esta conexão tem gerado especulações no meio político e financeiro sobre a possibilidade de uma delação conjunta entre Vorcaro e Mansur.