Vídeo: Deputada Fabiana Bolsonaro se pinta de preto para criticar Erika Hilton
“Eu sou negra agora?”

Vídeo: Deputada Fabiana Bolsonaro se pinta de preto para criticar Erika Hilton
Deputada estadual se pintou de marrom durante sessão para criticar Erika Hilton, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) causou polêmica ao realizar um ato considerado racista durante sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A parlamentar se pintou de marrom, praticando “blackface” – ato de pessoas brancas se maquiarem para caricaturizar pessoas negras – durante um discurso criticando a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Fabiana Bolsonaro, que não possui parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi eleita em 2022 e tem um histórico legislativo modesto. Em três anos de mandato, sua única lei aprovada institui o “Dia da Família Cristã”, além de projetos coletivos sobre municípios turísticos e uma PEC que permitiu a reeleição de André do Prado (PL).
Durante seu controverso discurso na Alesp, a deputada questionou a nomeação de Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, fazendo uma analogia problemática entre identidade racial e de gênero. Enquanto aplicava maquiagem marrom em seu rosto e corpo, declarou: “Eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E aqui eu pergunto: e agora? Eu virei negra?”
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A parlamentar prosseguiu com declarações transfóbicas, afirmando que “não adianta se travestir de mulher” e que não quer que “nenhum trans” tire seu lugar. Em resposta, a bancada do PSOL anunciou que apresentará uma representação na Comissão de Ética da Alesp por quebra de decoro, além de solicitar investigação no Ministério Público de São Paulo por racismo e transfobia.
O episódio soma-se a outra polêmica recente envolvendo Valéria Bolsonaro, também do PL, que questionou a “vivência biológica” de Erika Hilton para presidir a comissão, gerando outra representação por quebra de decoro pelo PSOL.
O documento apresentado pelo PSOL, assinado pela deputada Ediane Maria, ressalta que “a liberdade de manifestação parlamentar não autoriza a utilização do espaço institucional da Assembleia para a propagação de discurso discriminatório, ofensivo e excludente”.