Senador diz não ver irregularidades

Viana mantém repasses de R$ 3,6 milhões à Lagoinha mesmo após cobrança do STF
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), atual presidente da CPMI do INSS, manifestou-se publicamente nesta quinta-feira, 19, sobre o repasse de R$ 3,6 milhões em emendas Pix destinadas à Fundação Oasis, organização vinculada à Igreja Batista da Lagoinha. A instituição tem conexão com o pastor Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A questão ganhou destaque após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinar que Carlos Viana apresente explicações sobre a destinação dos recursos, respondendo a uma petição dos deputados Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Rogério Correia (PT-MG). O prazo estabelecido é de cinco dias úteis.
Em sua defesa, Carlos Viana esclareceu que os recursos foram direcionados através das prefeituras, não diretamente à igreja. “O dinheiro foi enviado para as prefeituras. A igreja não recebeu um tostão. Foi para as prefeituras. As prefeituras aprovaram o plano de trabalho e repassaram o recurso”, explicou o senador.
O parlamentar reforçou seu compromisso em continuar apoiando a instituição, destacando o trabalho social realizado. “Doei das minhas emendas para uma fundação que, todos os anos, gasta R$ 10 milhões em recuperar pessoas moradoras de rua e dependentes químicos. Vou continuar doando. Existe um Ministério Público neste País que nos investiga. Tudo o que eu faço é em cima do telhado”, afirmou.
As emendas Pix, modalidade utilizada no repasse, são caracterizadas como transferências especiais de recursos federais, indicadas por parlamentares diretamente a Estados e municípios, sem necessidade de convênio prévio ou apresentação de projeto detalhado. Este mecanismo foi revelado em 2021, sendo conhecido por sua rapidez na execução e baixa transparência.
Em nota oficial, Carlos Viana sugeriu que o questionamento sobre as doações pode estar relacionado ao seu trabalho na CPMI do INSS. “Sigo cumprindo o meu dever: conduzir uma investigação que começa a incomodar quem nunca quis ver a verdade aparecer. Responderei nos autos, dentro do prazo estabelecido”, declarou.
O senador também relacionou o questionamento à recente quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aprovada pela CPMI e posteriormente anulada pelo ministro Dino, sugerindo possível retaliação política.