Três séculos atrás, uma capela e um pequeno arraial começaram a formar o que hoje é um dos maiores municípios de Minas Gerais

Acervo histórico do Instituto Histórico e de Pesquisa de Betim (IMPHIC).
Pouca gente que vive ou passa por Betim imagina que o nome da cidade nasceu da história de um único homem. No início do século XVIII, quando Minas Gerais ainda era território de matas densas e caminhos improvisados rumo às minas de ouro, um bandeirante português decidiu se estabelecer na região. Seu nome era Joseph Rodrigues Betim.
Era o período de maior efervescência do ciclo do ouro no Brasil. Bandeirantes, comerciantes e aventureiros percorriam trilhas pelo interior da capitania em busca de riquezas ou oportunidades. Foi nesse contexto que Joseph Rodrigues Betim chegou à região, por volta de 1710, instalando-se próximo a um pequeno curso d’água que mais tarde ficaria conhecido como Rio Betim.
Ao se fixar no local, ele solicitou à Coroa portuguesa uma sesmaria, o sistema de concessão de terras usado na época para incentivar a ocupação do território. Como era comum nos núcleos coloniais, o ponto inicial do povoamento foi uma capela, construída para atender os moradores e viajantes que passavam pela região.
Ao redor dessa capela começou a surgir um pequeno arraial. Tropeiros, agricultores e trabalhadores que transitavam entre as áreas mineradoras passaram a utilizar o local como ponto de descanso e apoio. Aos poucos, o povoado cresceu e ficou conhecido como Capela Nova de Betim, referência direta ao sobrenome do homem que havia se estabelecido ali.
Com o passar das décadas, o arraial se consolidou como comunidade permanente. A localidade atravessou o período colonial, o Império e a República até se tornar oficialmente município apenas no século XX. Ainda assim, o nome do bandeirante permaneceu como marca definitiva da cidade.
Hoje, três séculos depois, milhões de pessoas vivem, trabalham ou circulam por Betim sem saber que o nome do município guarda a memória daquele primeiro morador que decidiu transformar um ponto de passagem em lugar de permanência.
A história da cidade, portanto, começa com um gesto simples: a decisão de um bandeirante de construir uma capela no meio do caminho das minas — e ficar.
