
Ministério Público do Paraná (MP-PR) - Foto: Alexandre Mazzo
A 2ª Vara Criminal de Paranaguá, no litoral do Paraná, proferiu sentença condenatória contra um líder religioso por violação sexual mediante fraude. O crime ocorreu em fevereiro de 2022, durante um suposto atendimento espiritual em uma igreja na Ilha dos Valadares. O caso, que tramita sob segredo de Justiça, resultou em uma pena de dois anos e 11 meses de prisão.
A promotora Simone Berci Françolin já indicou que o Ministério Público do Paraná pretende recorrer da decisão, buscando uma pena mais severa. De acordo com a denúncia, o réu aproveitou-se de sua posição de autoridade religiosa para cometer o crime. Durante um atendimento espiritual, ele utilizou meios fraudulentos para comprometer o consentimento da vítima, praticando atos sexuais contra ela.
A decisão judicial foi fundamentada em um conjunto robusto de provas, incluindo:
* Depoimento consistente da vítima, que manteve sua versão dos fatos ao longo do processo
* Testemunhos que corroboraram as acusações
* Documentação fotográfica do local do crime
* Registros das redes sociais da paróquia que comprovaram aspectos da denúncia
A defesa do acusado teve suas principais teses refutadas pelo juízo. A alegação de que os atendimentos aconteciam apenas em áreas abertas da igreja foi contradita pelas evidências apresentadas. Além disso, uma testemunha da própria defesa acabou confirmando a ocorrência de contatos físicos durante as orientações espirituais, enfraquecendo a argumentação do réu.
Apesar de ser réu primário, o condenado deverá cumprir a pena em regime inicial semiaberto, decisão justificada pela gravidade do crime e pelo abuso da confiança depositada em sua função religiosa.
A sentença também estabeleceu uma indenização mínima de R$ 1,5 mil à vítima, sujeita a correção monetária. Atualmente, o líder religioso está afastado de suas funções e teve seu passaporte retido como parte das medidas cautelares impostas. Qualquer descumprimento dessas medidas resultará em sua prisão imediata.